No Rock in Rio, marcas trocam o logo por experiências reais

Seara, 3 Corações, Bob's, Johnny Rockets e Movida chegam à edição 2026 do festival com estandes, jogos e ativações

Seara aposta em experiências para fazer o produto sair da prateleira e entrar na memória do consumidor
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Seara aposta em experiências para fazer o produto sair da prateleira e entrar na memória do consumidor

O Rock in Rio ainda nem começou, mas já cumpre uma função importante no calendário das marcas: tornou-se um laboratório para testar produtos, criar experiências, aproximar consumidores e, principalmente, ocupar um espaço que a publicidade tradicional nem sempre consegue alcançar — o da memória.

Em 2026, a Cidade do Rock será novamente palco de música, mas também de uma disputa silenciosa pela atenção. Seara, 3 Corações, Bob's, Johnny Rockets e Movida chegam ao festival com estratégias que mostram como os grandes eventos deixaram de ser apenas vitrines de exposição para se transformar em plataformas de relacionamento e negócios.

A mudança é relevante. O consumidor não quer apenas ver uma marca estampada em um painel. Ele espera que ela faça alguma coisa por ele.

O produto precisa entrar na experiência

A Seara, por exemplo, terá pela primeira vez um espaço de 150 m² em frente ao Palco Mundo, com a linha Seara Air Fryer como protagonista. A experiência inclui o Seara Dance, que mistura interação física e digital, além da presença de artistas e celebridades. A marca também terá três lojas na Cidade do Rock, assim como pontos no Palco Sunset, Espaço Favela e Global Village . Uma delas será dedicada à linha Seara Churrasco .

A estratégia não termina no festival. A empresa também levará a experiência para as redes sociais, com celebridades e influenciadores. Em 2024, a Seara registrou mais de 247 mil menções nas redes durante o evento, segundo dados da Stilingue by Blip .

É um bom exemplo de como um evento físico se transforma em conteúdo para uma audiência muito maior.

A 3 Corações segue caminho parecido, mas acrescenta outro ingrediente: nostalgia. Presente no Rock in Rio desde 2019, a marca apresenta os novos Cafés Gelados prontos para beber e mantém o Refil de Café Infinito . O copo da ativação, desta vez, muda de cor quando entra em contato com o café quente.

3 Corações usa nostalgia e experiências interativas para transformar sua presença no Rock in Rio em memória
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3 Corações usa nostalgia e experiências interativas para transformar sua presença no Rock in Rio em memória


Na Rota 85, a empresa cria um ambiente inspirado em um iglu para apresentar os cafés gelados e lança o Desafio Gelado, um game com brindes. A estratégia ainda aposta em pins e em um tamagotchi personalizado — uma escolha que conecta a marca à nostalgia dos anos 1990 e 2000 e ao comportamento colecionável de millennials e geração Z .

Nesse caso, a marca não apenas vende café. Ela tenta construir uma lembrança afetiva associada ao produto.

Quando o evento também vira ponto de venda

O Bob's representa outra dimensão dessa transformação. Presente em todas as edições do Rock in Rio desde 1985, a rede terá quatro pontos de venda: uma unidade de milk-shakes, uma de batatas e dois bares com sanduíches e bebidas.

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Bob's mantém presença histórica no Rock in Rio e transforma a alimentação em parte da experiência do público no festival


A longevidade importa porque transforma presença em patrimônio de marca. Ao acompanhar diferentes gerações de consumidores, o Bob's deixa de ser apenas um fornecedor de alimentação do festival e passa a fazer parte da própria história do evento.

Já o Johnny Rockets trata o Rock in Rio como instrumento explícito de crescimento. A rede aumentou em 22% os investimentos em marketing e destinará parte dos R$ 3 milhões previstos para essas iniciativas à operação no festival. No Bar N15, ao lado do Palco Sunset, terá uma operação própria com hambúrgueres, batatas e milk-shakes em ambientação retrô.

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Johnny Rockets reforça sua estratégia de crescimento no Rock in Rio com uma operação própria e experiência inspirada no universo retrô da marca


A declaração do CEO da marca resume a mudança: grandes eventos deixaram de ser apenas canais de visibilidade e passaram a integrar a estratégia de crescimento.

A marca precisa pulsar junto com o público

A Movida, por sua vez, transforma seu território de mobilidade em entretenimento. Locadora oficial do Rock in Rio, a empresa terá um estande de dois andares inspirado em um amplificador, com painéis de LED e uma estrutura móvel em formato de carro.

Entre as atrações estão o Carpool Movida, que transforma um carro em cabine de karaokê e gera um vídeo personalizado, e o Movida Dance, jogo em piso de LED com sensores de movimento. A marca também distribuirá pulseiras de LED, fones, carregadores, bolsas e leques.

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Movida pulsa com o Rock in Rio e coloca a música no centro da experiência


É significativo que uma empresa de aluguel de carros fale de música, dança e entretenimento. O objetivo é ampliar o território simbólico da marca: deixar de ser lembrada apenas quando alguém precisa alugar um veículo para ser associada a viagens, encontros e momentos de lazer.

O novo ativo é a memória

Há uma razão cultural para tanta aposta em experiências . Em uma sociedade saturada de anúncios, a atenção se tornou escassa — e a memória, ainda mais valiosa.

Um logotipo visto durante alguns segundos pode desaparecer no excesso de estímulos. Uma experiência compartilhada com amigos, um brinde colecionável, um jogo ou uma música cantada dentro de um carro têm mais chances de permanecer na lembrança.

É por isso que o Rock in Rio interessa tanto às marcas. O festival não entrega apenas audiência. Ele oferece contexto emocional.

O consumidor já chega disposto a se divertir, descobrir coisas, fotografar, compartilhar e viver histórias. Para as empresas, o desafio é entrar nessa narrativa sem interrompê-la.


Em 2026, as marcas parecem ter entendido a lição: não basta estar na Cidade do Rock . É preciso encontrar uma razão para o consumidor querer que elas estejam ali.

No fim, a maior disputa do festival não será apenas pelo espaço físico. Será por aquilo que permanece quando a música acaba: a lembrança de quem fez parte da experiência.

* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG