Réveillon em Copacabana
Fernando Maia | Riotur
Réveillon em Copacabana

Enquanto boa parte do mundo parece caminhar com o freio de mão puxado, o Brasil segue olhando para frente. A pesquisa Predictions for 2026, da Ipsos, mostra que 8 em cada 10 brasileiros acreditam que 2026 será melhor do que 2025. Em tempos de tantas incertezas globais, esse dado chama atenção não por prometer milagres, mas por revelar uma disposição curiosa — e bastante brasileira — de continuar acreditando.

Curioso porque o ano que termina não foi exatamente fácil. Seis em cada 10 brasileiros avaliam que 2025 foi um ano ruim para o país. Ainda assim, o pessimismo não venceu. O Brasil aparece entre os países que menos esperam uma recessão em 2026 e mais confiam em dias um pouco menos apertados. Não é euforia. É aquela esperança cautelosa de quem aprendeu a lidar com altos e baixos.

O otimismo também tem rosto e idade. Mulheres da Geração Z lideram a confiança no futuro, seguidas de perto pelas Baby Boomers. Já os homens mais velhos aparecem como os mais desconfiados. O recorte diz muito sobre o momento: quem cresceu em meio a crises sucessivas talvez tenha desenvolvido mais flexibilidade emocional para lidar com a instabilidade e menos apego a certezas.


Quando o assunto é dinheiro, o brasileiro mostra seu lado realista. A maioria acredita que pode sobrar um pouco mais no fim do mês em 2026, especialmente entre os millennials, mas sem grandes ilusões. O desejo não é gastar mais, mas sim respirar melhor. Ter margem. Ter escolha.

Talvez por isso os planos para o próximo ano passem menos por consumo e mais por qualidade de vida. Exercitar-se mais, cuidar da aparência, passar tempo com quem importa e até diminuir o uso das redes sociais aparecem como intenções fortes. Em um mundo barulhento demais, a ideia de desacelerar ganha valor.

Isso não significa ignorar os problemas. Segurança, mudanças climáticas, protestos e o impacto da inteligência artificial seguem no radar das preocupações. Os brasileiros sabem que o cenário global continua instável e que a tecnologia avança rápido demais para ser encarada sem cautela. Mas também não veem tudo em tons de catástrofe. Há medo, mas há também curiosidade e abertura para adaptação.

No fim das contas, o retrato que a pesquisa desenha é menos sobre previsões certeiras e mais sobre estado de espírito. O brasileiro entra em 2026 com o pé no chão e o olhar adiante. Sem promessas grandiosas, sem ingenuidade, mas com aquela convicção silenciosa de que amanhã pode ser um pouco melhor do que hoje. E, convenhamos, em tempos tão instáveis, isso já é muita coisa.

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