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Nossas previsões sobre hora e local do fenômeno demonstram que a Terra é mesmo redonda

Eclipse solar total
ESO/P. Horálek/Solar Wind Sherpas project
Imagem composta do último eclipse solar total, em 2017.

Hoje, no final da tarde, alguns sortudos terão o privilégio de acompanhar um fenômeno raro: um eclipse solar total. Deve ser um espetáculo e tanto, com o céu ficando escuro em pleno dia.

Você sabe por que os eclipses acontecem? E qual a relação dos eclipses com o formato da Terra?


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O que é um eclipse?

Eclipses acontecem devido ao alinhamento de astros. Durante a lua nova, o nosso satélite fica entre o Sol e a Terra — mas não num alinhamento perfeito. Isso quer dizer que a Lua não projeta uma sombra em nosso planeta.

A não ser no caso do eclipse. Aí, sim, o alinhamento é perfeito, escurecendo uma pequena região da Terra. Como a Lua se movimenta e a Terra gira, a sombra percorre um determinado caminho.

Esse caminho hoje passa por observatórios astronômicos importantes no Chile, e muita gente está lá para apreciar o show.

No Brasil, infelizmente, será difícil ver algo. O eclipse para nós acontecerá próximo ao pôr-do-sol, quando o Sol já estará bem baixo no horizonte. Será um pouco melhor nas regiões Norte e Centro-Oeste; para quem estiver por aí, podem tentar ver o Sol parcialmente encoberto pela Lua no final da tarde, a partir das 17h de Brasília aproximadamente. Lembrando, não ficará escuro, será possível apenas ver uma parte do Sol oculta.

Para os brasileiros, o próximo eclipse total do Sol será apenas no ano 2045…

Não esqueçam de proteção adequada para não queimar as retinas! Nada de óculos escuros ou chapas de raio-X; o melhor são os filtros de máscara de solda.


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Previsões do eclipse e a Terra redonda

Agora você deve estar se perguntando: o que isso tem a ver com o formato da Terra?

É importante lembrar que podemos prever o local e hora exatos do eclipse, incluindo o segundo em que ele começa e sua duração. Isso é possível apenas conhecendo muito bem a dinâmica dos astros.

Em particular, o caminho percorrido pela sombra depende do formato da Terra. E aí mora a diferença entre a ciência e a pseudociência: cientistas são capazes de prever o comportamento futuro da natureza a partir de modelos e observações.

Os terraplanistas podem dizer o que quiserem, mas suas propostas têm uma falha grave do ponto de vista do método científico, pois não podem prever fenômenos como o eclipse.

E se alguém não concorda comigo, fica aqui um desafio. Gostaria de ver um modelo da Terra Plana que consiga me dizer o segundo exato do eclipse total do Sol no Brasil em 2045.


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