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2019 será um ano de comemorações e centenários importantes para os astrônomos, além de grandes eventos

Imagem de eclipse solar total: astronomia em 2019 e 1919
Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação
Imagem de eclipse solar total: astronomia em 2019 e 1919

Passado o ano novo, é importante começar a pensar nos meses pela frente. O que acontecerá no mundo da astronomia em 2019 ?

Sem dúvida, podemos esperar grandes descobertas. Os astrônomos estão loucos para ver, finalmente, a foto do buraco negro obtida com o Telescópio do Horizonte de Eventos (EHT), um projeto que teve início em 2017. Mas isso é assunto pra outra coluna.

Astrônomos amadores, por outro lado, esperam ansiosamente os grandes eventos de 2019. O destaque será, sem dúvida, o eclipse solar total de junho, observável do Chile. Brasileiros poderão acompanhar um eclipse parcial. Por outro lado, teremos (mais) uma superlua de sangue em janeiro, na madrugada do dia 21. Mas isso tudo eu também deixo pra depois, mesmo porque há outro eclipse importante para celebrarmos este ano.


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Centenários astronômicos

Hoje gostaria de falar sobre as comemorações históricas. A União Astronômica Internacional, a maior sociedade internacional na área de astronomia, está completando 100 anos. Para celebrar, está organizando diversos eventos no mundo todo, e o Brasil não poderia ficar de fora.

Mesmo porque um outro centenário importante, com protagonismo brasileiro, acontece este ano: em 1919, astrônomos se reuniram em Sobral, no Ceará, e na ilha de Príncipe, na costa da África, para observar o eclipse solar total de 29 de maio — este, há cem anos. O objetivo? Confirmar a Relatividade Geral de Einstein.


Modelos e previsões

Esta é, na minha opinião, uma das mais belas histórias da astronomia. Com sua teoria da Relatividade Geral, Einstein previu que o espaço-tempo se curvaria na presença de um campo gravitacional. Uma ideia revolucionária, e certamente inesperada.

Mas a matemática da Relatividade Geral era precisa. Ao realizar seus cálculos, Einstein previa que uma estrela atrás do Sol teria sua posição no céu alterada, devido à curvatura do espaço gerada pelo astro-rei, como se este fosse uma gigantesca lente cósmica. O problema é que o próprio Sol é muito brilhante, ofuscando as estrelas ao seu redor. Afinal, quem já ouviu falar de observar as estrelas durante o dia?

A solução foi realizar as observações durante um eclipse total, quando a Lua tapa o Sol e escurece o céu durante alguns minutos. As imagens (sobretudo aquelas obtidas no Ceará, com o céu menos encoberto no dia) confirmaram as previsões de maneira inequívoca. Einstein estava certo.


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Celebrando a história

Ao comemorar o centenário do eclipse de 1919, assim como o seu próprio, a União Astronômica Internacional pretende demonstrar ao público a importância de 100 anos de história de descobertas científicas.

Os centenários e comemorações históricas são uma grande oportunidade de deixar claro como a ciência evoluiu, através de experiências e modelos cuidadosamente testados. Para podermos avançar, é fundamental refletir sobre o que foi alcançado. Afinal, como já dizia Isaac Newton, se conseguimos enxergar mais longe, é por nos apoiarmos nos ombros de gigantes.


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