Brigadistas combatendo incêndios florestais no Tocantins
Fernando Alves/Governo de Tocantins
Brigadistas combatendo incêndios florestais no Tocantins

A 68 dias do fim do ano, a Amazônia já apresenta mais queimadas em 2020 do quem todo o ano passado. A informação é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que monitora a região com satélite. Em todo 2019, a região amazônica apresentou 89.176 focos de calor. Até sexta-feira, o órgão já tinha identificado 89.734 incêndios na área este ano.

Outubro, antes mesmo de chegar a seu fim, já apresenta 74% mais queimadas do que o mês inteiro no ano passado. Em 2019, foram 7.855 pontos de calor, o mínimo para o período na série histórica desde 1998. No entando, este mês já contabiliza 13.704 queimadas.

Apesar de já apresentar mais focos de incêndio do que em todo 2019, apenas quatro meses desse ano tiveram mais queimadas que os mesmos no ano passado. Além de outubro, junho apresentou um aumento de 19% (de 1.880 para 2.248), em julho foi de 28% (de 5.318 para 6.803) e no mês de setembro o crescimento foi de 60% (de 19.925 para 32.017)

A Amazônia não é a única região brasileira a queimar. Nos primeiros 20 dias de outubro foram registrados 2.667 focos de incêndio no Pantanal , 408% a mais do que no mesmo período do ano passado, apontam dados do Inpe.

"Não existe nenhum esforço de prevenção aos desmatamentos e queimadas e as soluções apresentadas pelo governo, como a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) ou a Moratória do Fogo, se mostraram completamente ineficientes", afirma Rômulo Batista, da Campanha de Amazônia do Greenpeace Brasil, em nota. "Agora, a questão que fica é se foi por pura incompetência ou conivência com aqueles poucos que irão lucrar com toda essa destruição".

Salles defende financiamento do setor privado para preservar a Amazônia

Em mais uma audiência no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, voltou a defender as ações do governo federal na Amazônia. Ele disse que a atual gestão recebeu os órgãos ambientais com déficit de pessoal e execução orçamentária baixa, e defendeu um papel maior do setor privado para preservar a floresta.

Salles participou de audiência pública convocada pela ministra Rosa Weber. Ela é a relatora de uma ação apresentada por quatro partidos de oposição — PSB, PSOL, PT e Rede Sustentabilidade — que acusam o governo de omissão na aplicação de recursos do Fundo Amazônia, que financia ações de conservação na região. A maior parte do dinheiro vem dos governos da Noruega e da Alemanha.

Segundo Salles, o relatório de prestação de contas do fundo mostra que, em todos os anos de existência, nenhum empreendedor privado recebeu recursos.

Mourão apresenta a europeus meta de reduzir desmatamento na Amazônia em 50% até 2023

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta sexta-feira que apresentou, em uma reunião com representantes de oito países europeus, a meta de reduzir em até 50% o desmatamento na Amazônia.

"A meta de redução, nós apresentados para eles, até chegar em 2023 com menos da metade que nós temos hoje de desmatamento, na faixa dos 4 mil quilômetros quadrados, que seriam aqueles números melhores que nós tivemos naquela década passada", disse Mourão, após a reunião.

Questionado sobre se esse objetivo era possível, o vice-presidente que "nós temos que fazer o impossível para que isso aconteça".

Entre agosto de 2018 e julho de 2019 o desmatamento nos nove estados da Amazônia Legal atingiu uma área de 10.129 km², de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Foi o maior índice de área desflorestada desde o intervalo entre agosto de 2007 e julho de 2008, quando foram derrubados 12.911 km² de floresta.

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