Na imagem, floresta em chamas
Reprodução: O Dia
No Pantanal, fogo atinge últimos redutos de onças


Em apenas 14 dias, setembro de 2020 já registrou mais queimadas na Amazônia e no Pantanal do que em todo o mesmo mês do ano passado. Dados do programa Queimadas, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), mostram que do dia 1º até esta terça foram identificados 20.485 focos de calor na Amazônia contra 19.925 nos trinta dias do mesmo mês em 2019. A média para o mês já é de 1.400 queimadas por dia na região amazônica. No Pantanal, por sua vez,  a primeira quinzena de setembro registrou 5.300 focos contra 2.887 nos 30 dias de setembro de 2019.


Agosto e setembro são meses mais secos nos dois biomas , o que contribui para o aumento no número de queimadas. Além disso, este período menos úmido é usado ilegalmente para queimar o que foi desmatado anteriormente. O Instituto Socioambiental (ISA) estima que 45% da floresta derrubada em 2019 não foi queimada ano passado e vem servindo como combustível para aumentar a intensidade dos incêndios na Amazônia.

O aumento das queimadas acontece mesmo com a proibição, em 16 de julho, pelo governo federal, de uso de fogo por 120 dias na Amazônia e no Pantanal. Rômulo Batista, coordenador para a Amazônia do Greenpeace, enfatiza que as queimadas são consequência direta do desmatamento , que é feito, em sua grande maioria, de forma ilegal:

Estimamos que mais de 90% do desmatamento é feito de forma ilegal . O que é queimado é o material biológico fruto desse desmatamento. Todo o processo é feito fora da lei, uma medida oficial não impede esses acontecimentos. Fora isso, há um corte e uma falta de interesse público em coibir e punir essas atitudes, inclusive diminuindo fundos para fiscalização.

O número de queimadas das duas primeiras semanas de setembro também já supera o total registrado de queimadas de setembros de diversos anos anteriores nos últimos dez anos, como 2016, 2013 e 2011.

Dados do Inpe, via o programa Deter, também mostram que, de agosto de 2019 até julho de 2020 houve crescimento de 34% no número de áreas desmatadas na Amazônia, o que vem levantando críticas da comunidade internacional em relação às políticas ambientais do governo de Jair Bolsonaro.

Desde o início de 2020, há crescimento no número de queimadas nos dois biomas, segundo dados do Inpe. Na Amazônia, os focos de calor cresceram em 11,5% de 1º de janeiro até 14 de setembro. No Pantanal, para o mesmo período, o aumento foi bem maior, de 219%.

Na última semana, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, compartilhou um vídeo que afirmava que a Amazônia não estava queimando.

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