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Contrariado com dados sobre o desmatamento e questão sobre crescimento com preservação, presidente sugeriu a repórter comer menos um pouquinho

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Marcos Corrêa/PR - 8.8.19
Presidente Jair Bolsonaro tem se mostrado contrariado com a divulgação de dados do desmatamento no Brasil

Em meio a uma resposta sobre os efeitos do desenvolvimento da agropecuária para o meio ambiente no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sugeriu, nesta sexta-feira (9), que um repórter "faça cocô dia sim, dia não" e coma menos para combater a poluição ambiental.

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Bolsonaro havia sido questionado se é possível fazer o país crescer com preservação, depois de destacar a necessidade de alimentar a população crescente e dizer que que a pressão internacional contra o desmatamento ocorre porque "eles querem a Amazônia".

"É lógico que sim [é possível crescer com preservação]. É só você deixar de comer menos um pouquinho. Quando se fala em poluição ambiental, é só você fazer cocô dia sim, dia não, que melhora bastante a nossa vida também, tá certo?", declarou o presidente durante entrevista coletiva na saída do Palácio da Alvorada, pela manhã. 

A declaração ocorreu depois que um jornalista mencionou um artigo publicado na Revista Nature que apontou o desmatamento e a agropecuária como responsáveis por um quarto do efeito estufa no planeta e questionou como Bolsonaro enxerga o desenvolvimento da agropecuária no Brasil em relação a esse dado.

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O presidente disse que o mundo tem hoje aproximadamente 7,6 bilhões de habitantes e se referiu a números que disse ter recebido do Ministério da Defesa, contabilizados no alistamento militar obrigatório, que equivale a nascidos há 18 anos, para dizer que o Brasil ganha um pouco mais de 2 milhões de habitantes anualmente.

"O pessoal tem que comer. E como é que você tem que estimular o agronegócio? É a parte da economia que mais está dando certo no Brasil. Nós concorremos com Austrália, Estados Unidos, então temos que colaborar com esse setor", afirmou.

Na sequência, falou sobre o que classificou de propaganda negativa contra a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que segundo ele é chamada de a "rainha do veneno". Isso porque, disse Bolsonaro, pelo trabalho dela também junto com a Câmara, o Brasil liberou mais uma centena de agrotóxicos .

"Produtos que vão fazer bem para o agronegócio, deixando para trás velhos outros tipo de combate a pragas no campo. Estamos evoluindo. Por que essa pressão agora? É a guerra comercial. Por que a pressão enorme sobre a Amazônia? Porque eles querem a Amazônia, pô. Ninguém chama uma menina de feia se ela não é bonita", afirmou.

"O mundo todo está conectado. O próprio acordo União [Europeia] com Mercosul, tem outros países que não estão gostando disso, porque vão perder mercado na Europa. É natural isso aí. Agora nós é que devemos falar a verdade e divulgar o que o Brasil tem de bom. E se tirarmos o agronegócio fora, as nossas commodities, a gente vai viver do quê na economia?", questionou o presidente.