
Seis pulseiras de ouro da Era Viking, com peso total de 762,5 gramas, foram encontradas perto de Rold, na Dinamarca.
A descoberta aconteceu quando um morador de Himmerland encontrou duas pulseiras enterradas no chão, perto de uma estrada rural em uma área de mata.
O homem levou as peças para avaliação pelo programa Danefæ, responsável pelo registro e pela proteção de objetos antigos encontrados no país. O material chegou ao departamento de arqueologia dos Museus do Norte da Jutlândia em 22 de abril.

Os arqueólogos foram até o local para entender de onde as peças tinham vindo. Durante uma busca mais detalhada em uma área maior, eles encontraram uma terceira pulseira praticamente no mesmo lugar das duas primeiras. Depois, outras três foram encontradas a cerca de 15 metros do lugar inicial.
Todas as seis estavam inteiras e eram feitas de ouro maciço. Juntas, pesam 762,5 gramas.
O conjunto recebeu o nome de Tesouro de Rold e se tornou a terceira maior descoberta de ouro da Era Viking na Dinamarca, atrás apenas do Tissøringen, encontrado na Zelândia Ocidental em 1977, e do Fæstedskatten, descoberto perto de Ribe em 2016.
As peças, feitas entre os anos 950 e 1000, estão em exposição no Museu Nacional de Copenhague até o fim de 2026.

Ouro era raro entre os vikings
As seis pulseiras seguem um modelo usado na Escandinávia durante a Era Viking. No entanto, peças feitas de ouro eram muito mais raras do que objetos semelhantes produzidos em prata.
Naquele período, o ouro estava concentrado principalmente entre as pessoas mais ricas e poderosas da sociedade. Por isso, encontrar seis pulseiras do material em um mesmo local é algo incomum.
As peças também mostram o nível de habilidade dos artesãos que trabalhavam com ouro naquela época. Três pulseiras foram feitas com duas hastes de ouro torcidas. Uma delas possui um fio fino de ouro incorporado à peça e um fecho em formato de botão. As outras são formadas por hastes ou fios de ouro maciço.
A descoberta inclui pulseiras de ouro com formatos tanto torcidos quanto lisos, que, juntas, demonstram um trabalho de ourivesaria altamente especializado, o que também contribui para tornar o achado algo bastante especial Torben Sarauw, arqueólogo do Nordjyske Museer
Algumas possuem fechos feitos com partes do metal entrelaçadas, conhecidos como “nós corridos”. Uma das pulseiras também tem um pequeno anel semelhante. Já outra peça tem formato diferente, com suas extremidades achatadas e unidas, com desenhos de zigue-zague e triângulos.

Peças podem ter pertencido à elite
O Tesouro de Rold foi enterrado entre os anos 950 e 1000, durante uma fase de grandes mudanças na Dinamarca. Nesse período, o poder da monarquia aumentava, o território começava a ser reunido em um único reino e o cristianismo ganhava espaço.
Foi também uma época de disputas pelo poder e de grandes construções, como os fortes circulares associados ao rei Harald Bluetooth e os monumentos de Jelling.
As pulseiras de ouro eram relacionadas à riqueza, à posição social e às relações políticas, segundo Torben Sarauw, arqueólogo do Nordjyske Museer. Por isso, os antigos donos das peças encontradas em Rold podem ter feito parte dos grupos mais poderosos daquela sociedade.
O fato de as seis pulseiras terem sido encontradas inteiras também chama atenção. Elas não foram quebradas em partes menores, algo que poderia indicar seu uso como pagamento.
Para os pesquisadores, isso fortalece a possibilidade de que os objetos fossem usados para mostrar riqueza e posição social ou que fossem presentes importantes, relacionados a relações de confiança, alianças e lealdade.

Por que as pulseiras foram enterradas?
As pulseiras estavam cuidadosamente empilhadas umas sobre as outras, o que indica que foram enterradas de propósito.
Uma possibilidade é que alguém tenha escondido o ouro para protegê-lo durante um período de conflitos ou instabilidade. Outra hipótese é que as pulseiras tenham sido enterradas como parte de uma cerimônia religiosa ou como uma oferenda aos deuses.
Quando esses anéis são enterrados juntos, isso costuma ser interpretado como um depósito feito de propósito, seja para proteger valores em tempos de instabilidade, seja como parte de rituais cujo significado completo hoje é difícil de determinar. O Tesouro de Rold, portanto, nos oferece uma visão rara do mundo e da estrutura social dos vikings Torben Sarauw, arqueólogo do Nordjyske Museer
Atualmente, as seis peças estão em exposição na mostra “Antiguidade da Dinamarca”, no Museu Nacional de Copenhague, onde poderão ser vistas até o final de 2026.
Depois disso, existe a possibilidade de que o conjunto seja levado ao Museu Viking de Fyrkat, permitindo que moradores da região conheçam as peças perto do local onde foram encontradas.