Astronauta James D. “Ox” Van Hoften, examina experimento estudantil com abelhas
Reprodução/Nasa
Astronauta James D. “Ox” Van Hoften, examina experimento estudantil com abelhas

Em abril de 1984, 3.300 abelhas operárias e uma rainha viajaram no ônibus espacial Challenger para participar de um experimento da NASA. Durante a viagem, os insetos deveriam construir favos em condições de microgravidade.

A experiência fazia parte do Shuttle Student Involvement Program, um programa que permitia a estudantes dos Estados Unidos desenvolverem experimentos para serem realizados em missões dos ônibus espaciais.

O projeto de Dan Poskevich acabou viajando junto com os cinco astronautas da missão STS-41C, lançada em 06 de abril de 1984 pelo Challenger, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.

A ideia era observar como as abelhas construiriam suas colmeias no espaço e, depois, comparar o resultado com os favos feitos em outra colônia na Terra. Os pesquisadores ainda queriam descobrir se elas manteriam o formato hexagonal característico dos favos ou se construiriam outro formato sem a gravidade como referência.

Para fazer o experimento, as abelhas foram colocadas em uma caixa preparada para a viagem e instalada no compartimento intermediário do ônibus espacial.

O equipamento tinha duas estruturas onde os insetos poderiam construir os favos. Duas câmeras foram instaladas para captar o trabalho das abelhas durante a missão.

O ambiente dentro da caixa era controlado e temporizadores regulavam a iluminação e a temperatura para criar condições parecidas com as da Terra. As abelhas também tinham acesso à água, pólen e néctar para se alimentar.

Tripulação da STS-41C posam no convés de voo do Challenger
Reprodução/Nasa
Tripulação da STS-41C posam no convés de voo do Challenger


Favos no espaço

O experimento com as abelhas foi conduzido no quarto dia da missão. Nos primeiros momentos em microgravidade, as abelhas tiveram dificuldades para se movimentar. Algumas tentavam voar e acabavam batendo contra as paredes do compartimento. Sem a gravidade para indicar o que era "para cima" e "para baixo", elas também usavam diferentes partes da estrutura como apoio.

Com o passar dos dias, os insetos se adaptaram e passaram a se deslocar com menos colisões.

Durante a missão, as abelhas construíram cerca de 200 centímetros quadrados de favos. A estrutura tinha formas hexagonais, mostrando que os insetos conseguiram manter o padrão de construção mesmo em microgravidade.

Depois do voo, os pesquisadores analisaram as estruturas e encontraram diferenças em relação aos favos construídos na Terra. As células feitas no espaço tinham diâmetro médio menor e paredes mais espessas, enquanto a profundidade era parecida à vista na Terra.

Além da construção dos favos, as abelhas mantiveram vários comportamentos comuns de uma colônia na Terra. Elas ajudavam a controlar a temperatura e a umidade do ambiente, organizavam as reservas de água, néctar e pólen e transportavam as abelhas mortas para uma área fora do compartimento.

A rainha também continuou se reproduzindo e colocou cerca de 35 ovos durante a viagem. Porém, nenhum deles nasceu depois que as abelhas retornaram à Terra, e os pesquisadores não conseguiram descobrir o motivo.


Missão histórica

Enquanto as 3.301 abelhas participavam de seu próprio experimento, os astronautas realizavam outras tarefas no espaço. Uma das principais atividades da missão foi o primeiro reparo de um satélite em órbita. A tripulação recuperou o Solar Maximum Mission, um equipamento usado para estudar o Sol.

Os astronautas também colocaram em órbita o Long Duration Exposure Facility, uma estrutura que carregava dezenas de experimentos científicos.

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