
Expedições científicas ao fundo do Oceano Índico encontraram 149 espécies que ainda não eram conhecidas pela ciência. As viagens aconteceram em 2021 e 2022, perto da Ilha Christmas e das Ilhas Cocos, territórios da Austrália .
Os pesquisadores exploraram 22 montanhas submarinas e outras áreas do fundo do mar , em profundidades que variaram de 94 a 5.431 metros. Ao todo, foram identificadas 1.059 espécies.
A região fica em uma área remota do Oceano Índico, entre a Austrália e a Indonésia. Apesar das ilhas já terem sido estudadas em águas mais rasas, pouco se sabia sobre os animais que vivem nas partes mais profundas do mar.
Para chegar ao local, a equipe saiu de Darwin, cidade no norte da Austrália. A viagem até a Ilha Christmas levou quase sete dias. As Ilhas Cocos (Keeling) ficam cerca de 960 quilômetros a sudoeste de Christmas.

O trabalho reuniu 33 pesquisadores de diferentes instituições. Eles viajaram a bordo do RV Investigator, navio usado pela Austrália para pesquisas científicas em alto-mar .
O objetivo era descobrir quais animais vivem no fundo do oceano e reunir informações para entender melhor a variedade de formas de vida da região.
Montanhas gigantes escondidas no fundo do mar
Uma das principais áreas estudadas foram as montanhas submarinas, formadas por antigos vulcões que hoje estão escondidos debaixo da água.
Algumas dessas montanhas chegam a ter até 70 quilômetros de largura e chegam a milhares de metros acima do fundo do oceano .
A equipe mapeou 22 dessas formações, algumas delas nunca estudadas antes. Uma delas chamou atenção pelo formato, com uma grande cratera, parecida com uma tigela, que se formou após uma erupção vulcânica. Por lembrar um olho, os pesquisadores deram à estrutura o nome de " Olho de Sauron ", em referência a O Senhor dos Anéis .
A formação fica a 3.103 metros de profundidade e a 282 quilômetros da Ilha Christmas. Os pesquisadores fizeram o mapeamento da área, mas não retiraram animais de dentro da cratera.
Quase 20 mil animais foram coletados
Durante as duas expedições, os pesquisadores fizeram 67 coletas no fundo do mar. Ao todo, foram recolhidos 19.474 exemplares de animais. O material foi separado e enviado para especialistas responsáveis por diferentes grupos de animais.
A análise identificou 1.059 espécies ou grupos de espécies. Desse total, 495 eram espécies já conhecidas e 149 foram consideradas novas para a ciência .
Outros 415 animais não puderam ser identificados com segurança. Em alguns casos, faltavam informações ou os exemplares não estavam em condições suficientes para uma identificação definitiva.
Entre os animais encontrados estão peixes, crustáceos, corais, estrelas-do-mar, pepinos-do-mar, vermes, moluscos e águas-vivas.
Um dos destaques foi um peixe do gênero Chlorophthalmus. A equipe encontrou vários exemplares e analisou o DNA dos animais, confirmando que se tratava de uma espécie ainda não descrita pela ciência.
Mais de mil dentes de tubarão
Um dos achados que mais chamou a atenção aconteceu no fim da expedição.
Em uma única coleta, feita a cerca de 5.422 metros de profundidade, os pesquisadores retiraram do fundo do mar mais de 1.000 dentes de tubarão . O local recebeu o nome de " Cemitério dos Tubarões ".
Entre os dentes havia restos de tubarões-brancos , tubarões-mako e tubarões-tigres. Também foram encontrados fósseis de megalodonte, um enorme tubarão pré-histórico.
Segundo os pesquisadores, os dentes encontrados registram mais de 22 milhões de anos de evolução. Alguns dos fósseis têm entre 33 milhões e 22 milhões de anos.
Ainda há muito para descobrir
A pesquisa foi a primeira a analisar a variedade de animais das montanhas submarinas dessa parte central e oriental do Oceano Índico.
Mesmo depois das expedições, parte dos animais coletados ainda precisa ser estudada. Isso significa que o número de espécies consideradas novas pode mudar à medida que os pesquisadores analisarem o material com mais detalhes.
Para Timothy O'Hara, do Museums Victoria e principal autor da pesquisa, o fundo do oceano ainda guarda muitas informações desconhecidas.