Cemitério de tubarões de 100 milhões de anos é achado em deserto

Dentes fossilizados de cinco espécies extintas foram encontrados em uma região do Egito que já esteve coberta por um mar tropical

Planalto de Abu-Tartur, no Egito, tem rochas ricas em fosfato, onde foram preservados dentes de tubarões de cerca de 100 milhões de anos
Foto: Reprodução/Redes sociais/Tarek Yassin
Planalto de Abu-Tartur, no Egito, tem rochas ricas em fosfato, onde foram preservados dentes de tubarões de cerca de 100 milhões de anos

Um “ cemitério de tubarões ” com 14 dentes fossilizados de cerca de 100 milhões de anos foi encontrado no Planalto de Abu-Tartur, uma região de deserto no sudoeste do Egito .

Os fósseis pertencem a pelo menos cinco espécies de tubarões extintos e estavam enterrados em uma camada de rocha rica em fosfato. Na época em que esses animais viviam, a região era coberta por um mar tropical .

O local da descoberta faz parte de uma região desértica e pouco povoada, entre os oásis de Dakhla e Kharga, a cerca de 650 quilômetros a sudoeste do Cairo, capital do país.

A paisagem, porém, era muito diferente no passado. Durante o período  Cretáceo Superior, entre 100,5 milhões e 66 milhões de anos atrás, grande parte do território que hoje corresponde ao Egito estava coberta por um oceano .

Dentes fossilizados de tubarões encontrados no Planalto de Abu-Tartur, no Egito
Foto: Reprodução/Cretaceous Research/Tarek Yassin et al.
Dentes fossilizados de tubarões encontrados no Planalto de Abu-Tartur, no Egito


Foi nesse antigo ambiente marinho que os tubarões encontrados no Planalto de Abu-Tartur viveram.

Os 14 dentes estavam em uma camada de rocha que se formou durante esse período. O local fica na chamada Formação Duwi, uma área conhecida pela presença de rochas com fosfato e fósseis de animais marinhos

A descoberta foi descrita em um novo estudo publicado pelos paleontólogos Tarek Yassin, da Universidade do Cairo, Jorge D. Carrillo-Briceño, René Kindlimann, Alhussein Ibrahim e Mohamed K. AbdelGawad

Um dos fósseis pode ser inédito na África

Entre os dentes encontrados está um possível registro de Scapanorhynchus cf. S. raphiodon. Segundo o estudo, pode ser a primeira evidência conhecida dessa espécie na África. Os autores ainda afirmam que serão necessários mais fósseis e novas análises para confirmar a classificação.

O artigo apresenta o primeiro registro de duas espécies diferentes de lamniformes encontradas em camadas de fosfato do Cretáceo Superior (Formação Duwi), no Planalto de Abu-Tartur.
Tarek Yassin, autor principal do estudo.


A descoberta também aumenta a quantidade de tubarões conhecidos na região . Outros estudos já tinham achado duas espécies no mesmo local. Com os novos registros, pelo menos sete espécies de tubarões são conhecidas nessa formação geológica.

Foto: Reprodução/Redes sociais/Tarek Yassin
O Planalto de Abu-Tartur, no Egito, abriga depósitos de fosfato da Formação Duwi, onde foram encontrados os dentes fossilizados de lamniformes


Um mar cheio de vida

A região ficava próxima de uma área onde o fundo do mar começava a ficar mais profundo. Nesse ponto, águas profundas, carregadas de nutrientes, podiam subir em direção à superfície.

Esses nutrientes favoreciam a presença de pequenos peixes e outros animais marinhos que serviam de alimento para predadores maiores. Pequenos peixes e invertebrados estavam entre os animais que serviam de alimento, enquanto tubarões como Squalicorax e Cretalamna ocupavam uma posição mais alta na cadeia alimentar.

No topo estavam grandes predadores, como Cretoxyrhina, que podia alcançar entre sete e oito metros de comprimento e pesar cerca de cinco toneladas.

Para comparação, os atuais tubarões-brancos  podem chegar a aproximadamente seis metros.


Por que só os dentes foram encontrados?

A preservação só dos dentes está ligada à anatomia dos tubarões. Esses animais não possuem um esqueleto formado por ossos. Seu corpo é sustentado principalmente por cartilagem, que se deteriora com facilidade depois da morte.

Os dentes, por outro lado, são muito mais resistentes. Depois de serem enterrados, podem passar por mudanças químicas que ajudam a preservá-los durante milhões de anos.

Foto: Reprodução/NOAA Ocean Exploration
Dente fossilizado de tubarão megalodonte coletado durante expedição nas Ilhas Cook, em 2026


Por isso, é possível encontrar dentes fossilizados de tubarões mesmo quando praticamente nenhuma outra parte do corpo sobreviveu.

Um dos exemplos mais conhecidos é o megalodonte, um tubarão extinto que pode ter chegado a cerca de 20 metros de comprimento. Embora nenhum esqueleto inteiro tenha sido encontrado, seus dentes enormes fossilizados e algumas vértebras ajudaram os cientistas a conhecer melhor o animal.