
Cerca de cem garrafas de champanhe e outros itens de luxo viajavam pelo Mar Báltico em 1856, até que o navio afundou e só parou no fundo do oceano. Nadadores da empresa polonesa Baltictech encontraram a carga em julho de 2024, a 58 metros de profundidade. Desde então, a companhia especializada em mergulhos técnicos se mobilizou para descobrir quem é o proprietário do valioso carregamento.

O valor estimado da carga beira os US$ 4 milhões, o equivalente a R$ 22 milhões. O número é baseado no leilão de uma garrafa retirada de outro naufrágio báltico, nas ilhas Åland, que foi arrematada por € 30.000 em 2011. Tomasz Stachura, que chefia a equipe de mergulho e trabalha na área há quatro décadas, afirmou nunca ter visto nada parecido.
Para descobrir o dono do carregamento milionário, a Baltictech identificou peças de cerâmica da fábrica britânica Davenport, datadas de 1856. Esse tipo de louça durava pouco a bordo, sendo possível concluir a data de início da expedição. Além disso, documentos recuperados em arquivos europeus revelaram que a viagem ocorreu logo após a Grã-Bretanha suspender o bloqueio naval no Mar Báltico, que vigorava em decorrência da Guerra da Crimeia (1853-1856).
O período coincide com a reaproximação entre as cortes europeias e a Rússia após o conflito. Dessa forma, os mergulhadores descobriram que quem despachou o carregamento foi Adolfo, Duque de Nassau, como presente em missão diplomática enviada ao czar Alexandre II, da Rússia.
Além do champanhe, o navio levava vinho, couro, porcelana e água mineral Selters em recipientes de cerâmica. A água fria e pouco salgada do Mar Báltico agiu como uma adega natural perfeita. O conteúdo das garrafas, produzido pela vinícola Maison Louis Roederer, foi analisado em Reims, na França, e o resultado foi surpreendente.
As amostras testadas foram aprovadas e chegaram a 12% de teor alcoólico, com cerca de 110 gramas de açúcar por litro, ainda em condição de consumo. Atualmente, a equipe da Baltictech aguarda autorizações formais do governo da Suécia para escavar áreas mais profundas do porão, onde pretendem confirmar de forma oficial o nome do navio mercante.