Missão Artemis levará a primeira mulher à Lua e marca uma nova era na exploração espacial
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Missão Artemis levará a primeira mulher à Lua e marca uma nova era na exploração espacial


Se na década de 1960 a missão que levou o primeiro homem à Lua se chamava Apollo, nada mais justo do que agora sua irmã assumir o protagonismo, certo? Pela primeira vez na história, uma mulher astronauta vai caminhar na superfície lunar, e o nome da missão precisava refletir esse novo momento. A NASA escolheu Artemis. O motivo? A gente te conta a seguir:


Na mitologia grega, Artemis é a deusa da Lua, da caça e da natureza selvagem, assim como Apollo era associado ao Sol. Irmãos gêmeos, filhos de Zeus e Leto, ambos carregam essa dualidade entre dia e noite, luz e sombra, masculino e feminino.

“Por envolver agora uma astronauta mulher, para poder caminhar na Lua pela primeira vesz, faz todo sentido esse simbolismo mitológico dessa tradição”, explica o astrônomo Emerson Roberto Perez, do Urânia Planetário.

História da deusa grega

Artemis nasceu em Delos, e desde muito jovem se mostrou uma caçadora nata. Aos três anos, pediu ao pai, Zeus, seis desejos: viver em liberdade, usar arco e flechas, ter uma túnica para caçar, contar com ninfas ao seu lado, cuidar das crianças e mulheres em trabalho de parto e, acima de tudo, manter sua independência.



O berço mitológico da astronomia

Essa tradição, como lembra o astrônomo, é muito mais antiga do que parece. Desde as primeiras civilizações, olhar para o céu foi uma maneira de entender o mundo como um todo. Povos da Mesopotâmia, gregos, egípcios e até indígenas tupis já desenhavam suas constelações para prever chuvas, planejar colheitas ou decidir o momento de migrar para outro lugar. “O céu foi o primeiro calendário da humanidade”, diz Emerson.


E é justamente por isso que tantos corpos celestes têm nomes mitológicos. Marte, Vênus, Júpiter, Saturno, todos herdaram seus nomes de deuses, já que a mitologia foi o primeiro esforço humano de explicar os fenômenos da natureza.

Orion será acoplada ao foguete SLS para a missão Artemis II, que levará quatro astronautas em um voo de 10 dias ao redor da Lua em 2026.
NASA/Ben Smegelsky
Orion será acoplada ao foguete SLS para a missão Artemis II, que levará quatro astronautas em um voo de 10 dias ao redor da Lua em 2026.


“A astronomia nasce em um berço mitológico muito forte”, afirma Emerson. Manter esse elo entre ciência e mito é uma forma de aproximar as pessoas da ciência. “Ajuda a despertar a curiosidade dos jovens pelo assunto”, completa.

A representatividade de Artemis

Além da importância histórica e científica, a deusa grega carrega um simbolismo forte associado ao poder feminino. “A NASA foi muito feliz nessa escolha. Artemis, ou Diana na mitologia romana, representa a força. Tem tudo a ver com essa nova fase”, analisa o astrônomo.



Saiba mais sobre a missão

Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense  partirão para o espaço a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, a bordo do foguete SLS. A nave Orion fará uma série de manobras em órbita da Terra antes de seguir rumo à Lua em uma trajetória chamada de “retorno livre”, que usa a gravidade do sistema Terra-Lua para trazer a espaçonave de volta sem a necessidade de grandes manobras de propulsão.

Missão histórica ao redor da Lua terá um astronauta negro e uma mulher
Reprodução - NASA
Missão histórica ao redor da Lua terá um astronauta negro e uma mulher


Antes de deixar a órbita da Terra, a tripulação testará sistemas críticos da Orion, como suporte à vida, comunicação e navegação, além de realizar uma demonstração inédita de controle manual da nave em proximidade com o estágio superior do foguete. Esses testes são super importantes para preparar missões futuras, incluindo encontros e acoplamentos em órbita lunar a partir da Artemis III.

Infográfico da NASA detalha missão II do programa Artemis.
Reprodução / Nasa
Infográfico da NASA detalha missão II do programa Artemis.


Depois da injeção translunar, a Orion seguirá por cerca de quatro dias até passar pelo lado oculto da Lua, alcançando mais de 370 mil quilômetros de distância da Terra. Durante o sobrevoo, os astronautas poderão observar simultaneamente a Lua em primeiro plano e a Terra ao fundo, a quase 400 mil quilômetros. A missão terá duração aproximada de 10 dias e vai servir como um passo fundamental para o retorno de astronautas à superfície lunar nas próximas etapas do programa Artemis.

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