
O podcast " iG Foi Pro Espaço" recebeu nesta quarta-feira (17) a engenheira biomédica e divulgadora científica Lorrane Olivlet, conhecida como Lolly, para falar sobre sua experiência em missões análogas, que simulam em locais da Terra as condições extremas do espaço.
A mineira de Belo Horizonte, que também é mestranda estudando saúde humana em ambientes extremos, já participou de uma simulação no Habitat Marte, no Rio Grande do Norte, e planeja levar suas pesquisas para a Antártica.
Lolly, que possui mais de 1,6 milhão de seguidores somados em suas redes sociais, contou que a paixão pelo espaço começou aos três anos, com um livro sobre o sistema solar que veio em um chocolate.
“ Eu lembro que aquilo me marcou muito e eu sempre quis participar de coisas relacionadas ao espaço, mas naquela época não tinha oportunidade, estudei a vida inteira em escola pública e não tem esse tipo de ação ”, disse.
O que são missões análogas
Durante a entrevista, ela explicou que os ambientes análogos são locais na Terra com semelhanças físicas com o espaço, usados para testar tecnologias, procedimentos e os impactos na saúde humana antes de uma missão real.
“ O que não funciona em análogos não vai pro espaço. Imagina, falhou aqui, a gente vai ter coragem de mandar pro espaço que é caríssimo? Não vai rolar ”, afirmou.
Ela destacou que esses testes são mais rápidos e baratos do que enviar experimentos ao espaço. Entre os principais aspectos estudados estão os efeitos da radiação, o isolamento, o confinamento e a adaptação a diferentes gravidades.
Treinamento embaixo d'água e no deserto
Lolly, que é mergulhadora certificada pelas mesmas instituições que treinam astronautas, citou as bases subaquáticas, como a NEEMO, como um análogo crucial.
“ Se você tirar ali o respirador... quanto tempo você consegue sobreviver dentro da água? Alguns minutos, no máximo ”, comentou, ilustrando o ambiente hostil.
Ela também relatou um susto durante um mergulho de treinamento quando seu equipamento falhou. “ Puxei [o respirador], não veio [ar]... Eu acalmei e pensei: ‘Como que eu vou explicar para ele que eu preciso subir imediatamente?’ ”.
Sobre sua experiência no deserto potiguar com o Habitat Marte, ela descreveu as condições extremas. “ A gente foi na época de verão... na hora que a gente saiu para essa missão extraveicular, que era mais ou menos umas 09 horas da manhã, tava marcando no termômetro do carro a sensação térmica de 45ºC ”. Ela ainda brincou sobre os perigos locais, como os cactos com espinhos grandes que chegavam a atravessar o solado de suas botas.
Reconhecimento e inspiração
A trajetória de Lolly inclui marcos como ser convidada pela NASA para cobrir o lançamento da missão Psiche, um processo seletivo com 6.000 inscritos do qual apenas 17 foram aprovados, e ter virado personagem da Turma da Mônica, uma homenagem que a emocionou.
“ Eu aprendi a ler com Maurício de Souza, então você ter uma homenagem dessa foi muito extraordinário ”, disse.
Seu objetivo é inspirar mais meninas nas carreiras espaciais. Sobre a missão Artemis, da NASA, que planeja levar a primeira mulher à Lua, ela citou a astronauta Christina Koch, que passou um ano na Antártica em treinamento.
“ Ela focou na experiência dela na Antártica... a partir do momento que você muda a sua visão de mundo, você começa a ter uma nova perspectiva ”, contou Olivlet.
A entrevista foi transmitida nesta quarta-feira (17), às 18h, no canal do YouTube do Portal iG.