Explosão da bomba nuclear em Nagasaki, no Japão, em 1945
U.S. National Archives and Records Administration/Charles Levy
Explosão da bomba nuclear em Nagasaki, no Japão, em 1945

guerra entre a Rússia e a Ucrânia ganha novos contornos todos os dias, com declarações inflamadas e ameaças, a maioria veladas. Recentemente, uma nova ameaça russa chamou a atenção da comunidade internacional por se tratar de algo que escalaria o conflito para uma ameaça global. No último dia 20 de abril, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o  primeiro teste completo do novo míssil intercontinental, o RS-28 Sarmat, conhecido na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) como Satã-2. Este é o armamento mais poderoso do mundo.

Com as novas ameaças e declarações, surgiu um novo temor de uma possibilidade de  guerra nuclear, que - possivelmente - escalaria para um conflito global com consequências para diversos países.

Entenda como funciona uma bomba nuclear:

Explosões nucleares são aquelas cujo o poder explosivo vem das reações nucleares, que podem ocorrer por meio de fissão ou fusão. O resultado de ambos os métodos causam o famoso efeito cogumelo.

O funcionamento das bombas de fissão nuclear se dá por meio da divisão de um átomo instável pelo bombardeamento de partículas. Isso gera uma reação em cadeia que vai provocando a fissão nuclear dos outros átomos presentes. Por sua vez, a fusão, também conhecida como explosão termonuclear, ocorre através da fusão de dois átomos, mas para que isso ocorra é necessário obter energia através da fissão. Por isso, especialistas dizem que a fusão é uma combinação de duas reações nucleares.

Até hoje, apenas duas bombas nucleares foram utilizadas — as bombas de Nagasaki e Hiroshima, lançadas pelos Estados Unidos no Japão durante a Segunda Guerra Mundial. Uma bomba termonuclear com menos de 2 km pode produzir uma explosão equivalente à detonação de mais de 1,2 milhão de toneladas de TNT. Em 1961, a União Soviética experimentou a bomba mais poderosa até então concebida, a Tsar.

Inicialmente, a Tsar tinha o poder explosivo de 100 megatons, mas temendo que a explosão causasse uma tempestade radioativa na Europa, sua potência foi reduzida para “apenas” 50 megatons.

“Tem mais ogivas nucleares no planeta do que as necessárias para destruí-lo. Hoje, existem cerca de 12 mil ogivas nucleares no planeta, mas mil já seriam suficientes para destruir a terra”, afirma o especialista Aquilino Senra Martinez, professor da pós-graduação em engenharia nuclear da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Atualmente, estima-se que pelo menos 9 países no mundo tenham domínio de produção e armamentos nucleares à disposição. São eles: Estados Unidos, Reino Unido, Rússia, França, China, Índia, Paquistão, Israel e Coreia do Norte.

Como é uma bomba atômica

Uma bomba atômica tem um detonador inicial, que é feito de TNT, um tipo de explosivo comum. Sua função é simples: empurrar uma peça de urânio contra a outra. Para evitar que a bomba exploda antes da hora, as duas peças de urânio ficam separadas. Mas quando o TNT é detonado, uma dessas peças é lançada contra a outra. Quando isso acontece, a reação começa.

Quando a bomba está prestes a explodir, um compartimento de polônio e berílio se rompe e entra em contato com o urânio. Ela começa a emitir nêutrons que atingem o urânio – e isso faz com que os átomos de urânio se quebrem e sofram a fissão. O processo libera uma quantidade enorme de energia, fazendo a bomba explodir.

“As armas nucleares são armas de dissuasão, os países as têm e constroem cada vez mais arsenais para inibir o adversário de jogar outras bombas neles, então armas nucleares são armas de destruição”, completa o especialista da UFRJ.

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