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Pesquisadores britânicos identificaram marcas aparentemente feitas com objetos pontiagudos em fóssil de 'pássaro-elefante' de Madagascar; para eles, pessoas que viveram na Idade da Pedra podem ter abatido a espécie

Pesquisa apontou que ave extinta há 10 mil anos podem ter sido capturadas por humanos que viveram durante Pré-História
Reprodução/Sociedade Zoológica de Londres (SZL)
Pesquisa apontou que ave extinta há 10 mil anos podem ter sido capturadas por humanos que viveram durante Pré-História

Humanos da pré-história podem ter sido os culpados pela extinção dos maiores pássaros que já habitaram o planeta Terra. Segundo um estudo publicado na revista Science Advances , a suspeita surgiu após pesquisadores identificarem marcas incomuns, como se fossem feitas por objetos pontiagudos, nos ossos do apelidado ‘pássaro-elefante’.  As informações são da Live Science .

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Os ossos antigos das aves extintas há 10 mil anos foram encontrados em 2009 no Rio de Natal, no centro-sul de Madagascar. Os estudiosos afirmaram que os restos pertencem à espécie Aepyornis Mullerornis  e que, provavelmente, tenham sido capturadas por humanos da  pré-história , devido às marcas de corte e fraturas, o que levantou especulações sobre práticas de caça e abate.

O estudo revelou que as aves tinham aproximadamente três metros de altura e pesavam mais de meia tonelada. Além disso, viviam entre outras espécies típicas de Madagascar que também foram extintas. Acredita-se que a maior parte da megafauna local, incluindo elefantes, hipopótamos, tartarugas e lêmures gigantes foi dizimada há menos de mil anos.

Os cientistas da Sociedade Zoológica de Londres (SZL) explicaram que, mesmo com as suspeitas que os humanos tenham eliminado a espécie, não saberiam dizer o período exato em que chegaram ao país, localizado na maior ilha do continente africano.

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Humanos da pré-história chegaram a Madagascar antes do estimado

Ave pertencem à espécie Aepyornis e Mullerornis, que provavelmente foram capturadas por humanos da Pré-História
Reprodução/Wikimedia Commons
Ave pertencem à espécie Aepyornis e Mullerornis, que provavelmente foram capturadas por humanos da Pré-História

Pesquisas anteriores mostraram que Madagascar começou a ser habitada entre 2,4 e 4 mil anos atrás. Entretanto, graças a técnicas de datação por radiocarbono, a análise mais recente do fóssil determinou que já havia humanos na ilha há 10,5 mil anos. Com isso, as ossadas se tornaram as primeiras evidências conhecidas de pessoas no local.

“Nossa pesquisa demonstra que uma teoria de extinção diferente é necessária para entender a perda de biodiversidade que ocorreu na ilha. Os humanos parecem ter coexistido com pássaros-elefantes e outras espécies extintas há mais de nove mil anos”, ressaltou o autor do estudo James Hansford, na publicação.

O pesquisador disse que "os seres humanos causaram um impacto negativo, que diminuiu e limitou a biodiversidade durante a maior parte deste período". Ele acrescentou que ainda não está evidente quem eram aquelas pessoas pré-históricas de chegada precoce.

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"Essa descoberta transforma a ideia das primeiras chegadas humanas. Sabemos que, na pré-história , quando os humanos usavam apenas ferramentas de pedra, havia um grupo de pessoas que chegou a Madagascar. Continuaremos fazendo análises para descobrirmos mais dados arqueológicos sobre eles. Até então, tudo o que podemos afirmar é que não existem resquícios de seus genes nas populações modernas”, concluiu a  pesquisadora da Universidade Estadual de Nova York, Patricia Wright.

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