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Apesar de associadas à vida, matérias orgânicas podem ser criadas durante processos não biológicos e, assim, não são necessariamente indicadores de vida, mas agência diz ser "bom sinal" para futuras missões que serão feitas

Descobertas são consideradas “bom sinal para futuras missões que irão explorar a superfície e o subsolo de  Marte
Divulgação/Twitter/Nasa
Descobertas são consideradas “bom sinal para futuras missões que irão explorar a superfície e o subsolo de Marte

O robô Curiosity encontrou moléculas orgânicas entre rochas sedimentares da cratera de Gale, em Marte, o que pode indicar que o planeta abrigou vida em tempos remotos, segundo divulgou a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) nesta quinta-feira (7).  

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Embora a mais nova descoberta da Nasa não seja evidência certa da presença de vida em Marte , os achados do Curiosity são considerados sim “um bom sinal para futuras missões que irão explorar a superfície e o subsolo do planeta”, conforme escreveu a agência publicou em seu site.

Detalhes da nova descoberta em torno do material orgânico – presente em rochas sedimentares marcianas de três bilhões de anos, relativamente próximas da superfície – serão publicados em dois artigos da edição desta sexta-feira (8) do jornal “Science”.

Por enquanto, a Nasa afirma que as moléculas orgânicas contêm carbono e hidrogênio, e também poderiam apresentar oxigênio, nitrogênio e outros elementos. Além disso, aponta que alguns desses fragmentos de rocha contêm enxofre, o que poderia ter ajudado a preservá-los da mesma forma que é usado para tornar os pneus de automóveis mais duráveis.

Indicadores de vida em Marte?

Apesar de serem associadas à vida, matérias orgânicas podem ser criadas durante processos não biológicos e, desse modo, não são necessariamente indicadores de vida, conforme aponta a agência. “Com os novos achados, Marte está nos dizendo para permanecer nesse caminho e continuar a procurar pela evidência de vida no planeta”, diz Thomas Zurbuchen, administrador associado da Diretoria de Missões Científicas na sede da Nasa em Washington.

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“Estou confiante de que nossas missões sucessivas e planejadas irão ‘destrancar’ ainda mais descobertas de tirar o fôlego no Planeta Vermelho”, defende.

“O Curiosity ainda não determinou a origem das moléculas orgânicas. Se detém um registro da vida antiga, se foi comida para a vida, ou mesmo se mostra a ausência de vida. A matéria orgânica em objetos marcianos contém pistas químicas para as condições e processos planetários”, explica Jen Eigenbrode, do Goddard Space Flight Center da Nasa, em Greenbelt, no estado de Maryland, que é o autor principal de um dos dois novos artigos científicos.

Apesar de a superfície do planeta ser inabitável atualmente, existe uma clara evidência – ainda de acordo com a agência espacial – de que, em um passado distante, o clima tenha permitido a presença de água líquida, ou seja, o ingrediente principal para a vida conforme nós a conhecemos.

Dados do robô ainda revelam que, bilhões de anos atrás, um lago dentro da cratera de Gale apresentava todos os ingredientes necessários para a vida, incluindo fontes de energia e elementos químicos.

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“A superfície marciana é exposta à radiação do espaço. Tanto a radiação quanto os produtos químicos quebram a matéria orgânica”, afirma Eigenbrode. “Por isso, encontrar moléculas orgânicas antigas nos cinco primeiros centímetros de rocha depositadas é um bom presságio para nós aprendermos a história de moléculas orgânicas em Marte  e para que futuras missões sejam aprofundadas”, finaliza.

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