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Estrela Icarus foi descoberta por cientistas da Universidade de Minnesota, nos EUA, que a localizaram por acaso durante a pesquisa de uma supernova

A estrela fotografada pelo Hubble foi batizada de MACS J1149+2223 Lensed Star 1 e apelidada de Icarus pelos cientistas
Reprodução/Universidade do Minnesota via The Guardian
A estrela fotografada pelo Hubble foi batizada de MACS J1149+2223 Lensed Star 1 e apelidada de Icarus pelos cientistas


O telescópio Hubble, um dos grandes avanços da astronomia dos últimos tempos, conseguiu um novo feito: de acordo com o The Guardian , ele capturou imagens da estrela mais distante já observada, a mais de nove bilhões de anos-luz da Terra.

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A descoberta foi anunciada pelo doutor Patrick Kelly e sua equipe, da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos. Segundo o cientista, a luz capturada pelo Hubble foi emitida pela estrela Icarus, ou MACS J1149+2223 Lensed Star 1, quando ela estava a mais de nove bilhões de anos-luz da Terra. Porém, é provável que, hoje em dia, o corpo celeste não exista mais: acredita-se que ela morreu e se tornou um buraco negro ou uma estrela de nêutrons.

O acontecimento é muito importante porque estrelas tão distantes como Icarus costumam aparecer fracas demais para serem identificadas de forma individual, por aparelhos astronômicos. Até então, elas só tinham sido fotografadas quando explodiam na forma de supernovas. Como isso não aconteceu com Icarus, a descoberta se tornou um feito histórico.

“Ela está mais de 100 vezes longe da estrela individual mais distante que podemos observar”, explicou Kelly, que também ressaltou outra curiosidade: olhar para a foto de Icarus é como olhar para o passado, para cerca de três quartos do “caminho” até o Big Bang.

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Estrela descoberta pelo Hubble "por acaso"

A estrela foi identificada por acaso: os cientistas estavam estudando a supernova SN Refsdal quando perceberam um ponto de luz que estava quatro vezes mais brilhante do que em imagens anteriores, como explicou a doutora Mathilde Jauzac, da Universidade Durham. Assim descobriram que observar Icarus só foi possível por causa de um fenômeno chamado lente gravitacional, que já foi o responsável por outras descobertas importantes.

O evento acontece quando a luz emitida por uma estrela é “curvada” pelo efeito da gravidade dos objetos na frente dela, que no caso, era um aglomerado de galáxias . “Normalmente, as estrelas são aumentadas em até 600 vezes, o que acontece por causa do aglomerado. Entretanto, às vezes uma estrela “flutuando” no meio do aglomerado também fica no lugar exato para contribuir com um maior aumento”, disse Kelly.

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Dessa forma, Icarus foi aumentada em mais de duas mil vezes e, de acordo com análises da luz capturada pelo Hubble , descobriu-se que ela é uma supergigante azul, tipo muito raro de estrela que consegue ser maior do que o Sol e muito mais luminosa do que ele.