
Mais um corpo não identificado foi encontrado dentro de um saco plástico na noite desta segunda-feira (12), no Belenzinho, zona Leste de São Paulo. A Polícia Civil investiga o caso como homicídio e tenta identificar a autoria do crime. Este é o décimo crime registrado desde setembro com dinâmicas semelhantes na capital, envolvendo vítimas esquartejadas, carbonizadas ou ocultadas em sacos, cobertores e lençóis.
A sequência de mortes com características similares gerou repercussão nas redes sociais, onde internautas passaram a levantar hipóteses sobre a atuação de um suposto serial killer. Mas a Polícia Civil descarta a tese de um assassino em série. A principal linha de investigação aponta que os crimes estão relacionados a execuções ordenadas pelo chamado "tribunal do crime".
De acordo com os investigadores, as vítimas já identificadas possuíam histórico criminal e trabalham com a hipótese de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e de outras facções criminosas nas execuções.
Todos os dez casos são apurados pelo Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que busca mapear a autoria e os pontos de descarte dos cadáveres.
O que é um tribunal do crime?
O termo "tribunal do crime" refere-se a um sistema de justiça paralela mantido por facções criminosas. Nesses julgamentos clandestinos, integrantes do crime organizado aplicam punições severas — que variam de agressões físicas a execuções — a pessoas que descumprem as regras impostas pelo grupo ou que são vistas como rivais.
Quem é a vítima identificada?
O corpo mais recente foi localizado na Rua José Pinheiro Bezerra, de acordo com o g1. A área foi isolada pela Polícia Militar (PM) para os trabalhos da perícia técnica. Ainda de acordo com a reportagem do g1, os moradores relataram ter ouvido disparos de arma de fogo na região, mas a informação ainda pende de confirmação oficial.
O local onde o cadáver foi abandonado fica próximo à sede da Camisa 12, torcida organizada do Corinthians. O grupo deve ceder as imagens registradas pelo seu sistema de monitoramento para auxiliar a Polícia Civil no esclarecimento do crime e na identificação dos suspeitos.
E as outras nove mortes?
Além do caso no Belenzinho, o DHPP investiga a ocorrência de outros nove homicídios com o mesmo modus operandi distribuídos pelas diferentes regiões da capital: quatro na Zona Leste, três na Zona Sul, um na Zona Norte e um na Zona Oeste.
Dos nove corpos encontrados anteriormente, oito foram identificados pelo Instituto Médico Legal (IML) — sendo sete homens e uma mulher. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.
Relembre os nove casos anteriores:
- 5 de setembro: O corpo de um homem amarrado com cordas foi encontrado por garis dentro de um saco plástico na Rua Contos Gauchescos, no Jabaquara, zona sul.
- 10 de setembro (dois casos): Um homem foi localizado com o corpo amarrado, enrolado em um cobertor e com a cabeça coberta por sacos plásticos, em um terreno na Rua Zenichi Sato, na Colônia, zona leste; No mesmo dia, a três quilômetros do outro crime, o corpo de uma mulher foi encontrado na Rua Osmano Ungaretti, no Jardim Marabá, zona leste. Ela estava enrolada em um cobertor dentro de um saco plástico e apresentava perfurações por disparos de arma de fogo no rosto e na cabeça.
- 13 de setembro: O corpo de um homem ensacado foi encontrado em via pública na zona leste.
- 19 de setembro: O cadáver de um homem decapitado e esquartejado foi achado em sacolas plásticas num barranco no Jaçanã, zona norte. A cabeça e as mãos da vítima não foram localizadas.
- 25 de setembro (dois casos): O corpo de um homem com as mãos amarradas e enrolado em uma coberta foi abandonado na Rua São João do Pernambuco, na Vila Andrade, zona sul; O outro caso foi de um homem carbonizado foi encontrado no banco traseiro de um veículo incendiado no Rio Pequeno, zona oeste.
- 27 de setembro: Uma cabeça humana foi encontrada sobre uma praça no Jardim São Luís, entre a Avenida Guido Caloi e a Ponte Transamérica, zona sul.
- 2 de outubro: O corpo de um homem com braços e pernas presos por fita adesiva foi localizado dentro de um saco plástico perto do Parque Ecológico do Tietê e do Centro de Treinamento do Corinthians, na zona leste.
O iG entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) e questionou sobre a ocorrência, mas, até o momento, não obteve resposta. O espaço segue aberto.