
Um esquema criminoso que utilizava receitas e documentos fraudulentos para desviar medicamentos de alto custo de uma farmácia popular está sendo investigado pelas autoridades policiais em Santo André, na Grande São Paulo. Os medicamentos, destinados a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), eram desviados antes de chegar aos beneficiários.
Revelada nesta quinta-feira (08), a fraude levou a Controladoria Geral do Estado (CGE-SP) e a Polícia Civil a cumprirem 12 mandados de busca e apreensão na capital e em cidades da região metropolitana, durante a batizada Operação Halteres.
O remédio em questão é a S omatropina, versão sintética do hormônio do crescimento, distribuída gratuitamente aos usuários do SUS que se enquadram em critérios clínicos definidos pelo sistema. Os desvios ocorreram na Farmácia de Medicamentos Especializados de Santo André, anexa ao Hospital Estadual Mário Covas.
De acordo com a apuração policial, parte do material retirado de forma irregular teria como destino praticantes de musculação, que utilizam a substância de maneira indevida para acelerar o ganho de massa muscular. O uso no meio da malhação foi o que deu nome à operação.
A investigação também encontrou indícios de que funcionários terceirizados ou servidores públicos participaram da fraude; o prejuízo estimado aos cofres do estado é de aproximadamente R$ 400 mil. Até o momento, com o andamento da operação, duas pessoas foram levadas à delegacia para prestar depoimento.
Auditoria revelou inconsistências
O caso começou a ser investigado dentro da própria estrutura estadual. Em julho, uma auditoria interna da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), na farmácia de Santo André, identificou irregularidades nos documentos apresentados para a retirada dos medicamentos. Ao perceber as inconsistências, um boletim de ocorrência foi registrado e passado para os órgãos competentes, o que deu origem à investigação.
A Secretaria de Estado da Saúde afirmou que o caso não provocou desabastecimento nem interrompeu o atendimento. Os medicamentos continuam disponíveis para os pacientes que atendem aos critérios dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT).
O órgão informou ainda que colabora integralmente com a Polícia Civil, fornecendo documentos e informações técnicas, e que, além dos controles já existentes, está reforçando os mecanismos de segurança em toda a rede.
Forças da ação
Na ação desta manhã (08), cerca de 70 policiais civis e 20 auditores da CGE-SP foram às ruas para cumprir os mandados. A operação é conduzida pelo 1º Distrito Policial de Santo André, com apoio de outras unidades da Delegacia Seccional da cidade e do Grupo de Resposta Tática (GRT) do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro).
As equipes policiais buscam documentos, equipamentos eletrônicos e registros financeiros que permitam identificar todos os envolvidos, entender a dinâmica das fraudes e dimensionar com precisão o prejuízo. As responsabilidades criminais e administrativas ainda serão apuradas.