
O projeto do futuro corredor de ônibus rápido (BRT) na Radial Leste, na Zona Leste de São Paulo, prevê diversos benefícios para a mobilidade urbana, mas também desperta preocupações ambientais durante suas intervenções.
A obra prevê a remoção 493 árvores da região, que já é reconhecida por ter o menor índice de árvores por habitante da capital; das árvores que serão retiradas, 277 delas são de espécies exóticas e 216 de espécies nativas.
Como compensação, a Prefeitura de São Paulo deve plantar 4.031 mudas nas áreas ao longo do empreendimento, além da entrega de um trecho da obra ainda neste mês
Como o público reage
Apesar da promessa de melhorias no transporte, moradores relatam preocupação com a diminuição da vegetação. Ao g1, a empreendedora Beatriz Padilha afirma:
"Eu moro na Mooca faz muitos anos e percebo que, num contexto geral do bairro, tem elevado muitos prédios. Aqui em volta, por exemplo, eles têm tirado muitas árvores, e a gente não vê aquele verde que faria bem para o ambiente"
Especialistas também alertam para os impactos climáticos. A professora Loyde de Abreu, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, também explica em entrevista que a retirada da vegetação consolidada reduz a capacidade de sombreamento das vias, aumentando a onda de calor na cidade.
Eu tenho uma vegetação que está consolidada. Ao retirar essa vegetação, eu vou reduzir a capacidade de sombreamento de uma via. Consequentemente, eu vou ter mais calor. A região já sofre com ilhas de calor e vai demorar muito tempo para recuperar isso. Loyde de Abreu, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie
Segundo levantamentos, as subprefeituras de Itaim Paulista e Sapopemba, ambas na Zona Leste, estão entre as mais carentes de áreas verdes. Enquanto a Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 12 m² de cobertura vegetal por habitante, essas regiões apresentam índices muito inferiores: apenas 3,70 m² no Itaim Paulista e 3,65 m² em Sapopemba.

O projeto
A obra do projeto avançou através da promessa da redução do trânsito na Radial Leste, criando um corredor exclusivo para ônibus com terá 9,8 km de extensão. A via deve ligar o Terminal Dom Pedro II, no Centro, até a Estação Penha do Metrô, na Zona Leste.
A Prefeitura de São Paulo estima que cerca de 400 mil passageiros serão atendidos e beneficiados diariamente com a obra, obtendo uma redução de até 50% no tempo de deslocamento.
Segundo o plano de obra publicado no site da prefeitura em 2024, o corredor terá faixas exclusivas em pavimento rígido, mais resistente ao tráfego intenso de ônibus, além de faixas de ultrapassagem nas paradas e semáforos inteligentes que devem aumentar a velocidade operacional.
O projeto também prevê uma ciclovia ao longo de toda a extensão do corredor, com totens de segurança equipados com câmeras, botões de alarme e comunicação direta com a Central de Controle. Também haverá a faixa azul para motociclistas, ampliando a segurança no trânsito.
Outras medidas descritas no projeto eram 12 estações modernas em cada sentido, com portas automáticas e pagamento antecipado da tarifa, além de conexões diretas do corredor até as estações do Metrô e da CPTM por meio de passarelas.