
Dois trabalhadores foram resgatados de situação análoga à escravidão em um sítio em Caucaia do Alto, em Cotia, próximo à capital paulista, na sexta-feira (07). Os homens foram encontrados sob graves violações trabalhistas e de direitos humanos, relacionadas à moradia, à remuneração e aos vínculos de emprego.
Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), um dos trabalhadores, de 59 anos, é natural da Bahia e estava no sítio há cerca de oito anos; ele recebia apenas R$ 200 por semana e nunca havia tirado férias no período. O segundo homem, de 40 anos, trabalhava há cerca de dois meses no local, recebendo R$ 50 semanais. Dias de chuva ou em que não era possível trabalhar eram descontados do pagamento.
Conforme infomou a Prefeitura de Cotia, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) foi acionado pela Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, por meio da Divisão de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, para realizar o acolhimento e prestar atendimento aos dois homens.
Moradia precária
Segundo a equipe que resgatou os trabalhadores, as condições de moradia de ambos eram degradantes. Os homens viviam sem acesso a banheiro, o que os obrigava a fazer suas necessidades fisiológicas em uma mata próxima às construções.
Eles também não possuíam água quente, sendo obrigados a tomar banho frio em frente aos próprios barracos.
Os dois trabalhadores também não tinham camas nem armários para guardar seus pertences pessoais, demonstrando a ausência de condições mínimas de dignidade para ambos.
Encaminhamentos
Eles foram resgatados pela Auditoria-Fiscal do Trabalho e encaminhados à assistência social do município de Cotia. O empregador foi intimado a realizar o registro e a rescisão contratual dos empregados, além de quitar as verbas referentes ao tempo de serviço de cada um deles.
Eles poderão receber seis parcelas do seguro-desemprego especial para pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão, benefício que é garantido pela ação da Auditoria-Fiscal do Trabalho e ampliado pela Lei nº 15.455/2026, que reforça os meios de proteção, acolhimento e reinserção social das vítimas de trabalho escravo contemporâneo.
Os dois trabalhadores também foram inseridos no Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (PAEFI), executado pelo CREAS e destinado ao atendimento de pessoas e famílias que vivenciam situações de ameaça ou violação de direitos.
Ressocialização
Eles ainda deverão ser encaminhados, de acordo com suas necessidades, para outros serviços da rede socioassistencial, com acompanhamento e suporte psicológico, apoio para regularização da documentação civil, acesso a benefícios e programas de transferência de renda, quando atendidos os critérios, além de ações voltadas à qualificação profissional e retorno ao mercado de trabalho.
O resgate foi coordenado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Polícia Federal (PF). Conforme a administração municipal, os trabalhadores seguiram recebendo atendimento socioassistencial.