
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (27), a segunda fase da Operação Castratio, que investiga suspeitas de irregularidades em contratos do governo do Rio de Janeiro que somam cerca de R$ 200 milhões. Entre os alvos está o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), reeleito nas eleições de 2026 e que comandava a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento na época dos acordos investigados.
Os contratos sob suspeita envolvem serviços de castração e esterilização de animais que teriam apresentado indícios de direcionamento, superfaturamento e fraude em licitações.
Nesta terça a PF cumpre cinco mandados de busca e apreensão nos municípios do Rio de Janeiro e de Niterói após ordens judiciais expedidas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Investigaç ão começou em maio
A primeira fase da Operação Castratio foi deflagrada em 12 de maio, quando a Polícia Federal cumpriu 12 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na ocasião, Marcelo Queiroz também foi alvo da ação.

As investigações já apontavam para possíveis irregularidades nos contratos firmados pela secretaria estadual com a Consuvet, empresa privada que venceu licitações para prestar os serviços de castração e esterilização de animais.
Segundo informações divulgadas durante a primeira fase, a empresa foi criada em julho de 2021 e, quatro meses depois, já havia firmado contratos superiores a R$ 8,3 milhões com o governo estadual.
Entre os indícios levantados pelos investigadores estavam possíveis irregularidades em documentos apresentados para comprovar a capacidade técnica da empresa, além de suspeitas de direcionamento das licitações. Em um dos processos analisados, a Consuvet teria apresentado a quarta melhor proposta financeira, mas acabou escolhida pela secretaria.
A primeira fase da operação apontou ainda suspeitas relacionadas à apresentação de documentos para comprovar a capacidade operacional da Consuvet. Além disso, alguns dos contratos de locação apresentados pela empresa teriam datas anteriores à sua própria criação.
Ex-diretor da secretaria virou sócio da empresa
Outro nome citado na investigação é o de Antônio Emílio Santos, ex-diretor administrativo e financeiro da Secretaria de Agricultura.
Segundo as apurações divulgadas anteriormente, ele teria autorizado a abertura de uma licitação que beneficiou a Consuvet e, posteriormente, ingressado no quadro societário da empresa.
O iG buscou contato com os investigados, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue em aberto.