SUS: Brasil deve se tornar um dos únicos países com soberania sobre dados públicos do setor
Fernando Frazão/Agência Brasil
SUS: Brasil deve se tornar um dos únicos países com soberania sobre dados públicos do setor

Moradores da Zona Oeste e da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, estão mais expostos a fatores de risco para doenças respiratórias devido à presença de polos siderúrgicos, petroquímicos e logísticos nessas regiões.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a concentração desses tipos de atividade industrial pode contribuir para a piora da qualidade do ar, já que a emissão de partículas e gases poluentes por indústrias e veículos pesados está associada ao agravamento de doenças respiratórias.

Em 2025, o estado do Rio de Janeiro registrou, no Sistema Único de Saúde (SUS), 43.724 internações por pneumonia, bronquite, asma ou outras doenças do aparelho respiratório. Desse total, 60% corresponderam a moradores da Baixada Fluminense ou da Zona Oeste.

Entre as localidades dessas regiões, Santa Cruz, na Zona Oeste, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, aparecem como as mais afetadas.


Mapa da desigualdade

Os dados fazem parte da 5ª edição do Mapa da Desigualdade, publicada neste mês de outubro pela organização Casa Fluminense. O levantamento reúne indicadores sociais, econômicos e ambientais dos 22 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e busca entender as diferenças nas condições de vida da população, de acordo com o local de moradia, através de 23 bases de dados públicas e privadas.

O estudo trouxe outros dados de saúde pública, como as diferenças no acesso à atenção básica de saúde entre os municípios da Região Metropolitana. Queimados aparece com o pior índice de cobertura com 52% da população não atendida pela rede de atenção primária do SUS. Em Duque de Caxias e Nova Iguaçu, o percentual chega a 43% em cada município.

Segundo Iris Rosa, socióloga e coordenadora de informação da Casa Fluminense, o levantamento funciona como um instrumento de monitoramento e de incidência política. Para ela, os dados evidenciam como as desigualdades influenciam o acesso da população a serviços essenciais, como saúde, educação e segurança pública.


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