Lambari usado no estudo da Fiocruz
Divulgacao / Fiocruz
Lambari usado no estudo da Fiocruz




Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriram duas novas espécies de vermes parasitos em peixes lambaris encontrados na Zona Oeste do Rio de Janeiro. 

Os organismos, até então desconhecidos pela ciência, foram identificados nas brânquias dos peixes durante um estudo realizado no Campus Fiocruz Mata Atlântica.

As novas espécies foram batizadas de Diaphorocleidus santosclappae e Jainus mataatlanticaensis . Elas pertencem à família Dactylogyridae, que segundo a fundação, é um grupo formado por pequenos vermes achatados que vivem principalmente nas brânquias de peixes .

A descoberta foi publicada na revista científica Zootaxa e faz parte do projeto de pós-doutorado da pesquisadora Rayane Duarte, desenvolvido no Laboratório de Helmintos Parasitos de Peixes do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Segundo os pesquisadores, a diversidade de vermes parasitos presentes nos lambaris ainda é pouco conhecida. Apesar do gênero reunir mais de 120 espécies, apenas 12 delas haviam sido estudadas na América do Sul.

Como foi o estudo

Novas espécies de Parasitos encontrados nos lambaris
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Novas espécies de Parasitos encontrados nos lambaris


Ao todo, 37 exemplares de Lambaris com aproximadamente 9,5 centímetros de comprimento em média, foram coletados no rio Engenho Novo entre junho e julho de 2025.

A captura foi realizada pelo biólogo Iuri Veríssimo, da Fiocruz Mata Atlântica, com apoio técnico e logístico da equipe local. Depois, os peixes foram encaminhados ao Laboratório de Helmintos Parasitos de Peixes do IOC/Fiocruz.

No laboratório, os pesquisadores identificaram os peixes e retiraram suas brânquias para procurar os parasitos. Os vermes foram analisados ao microscópio e preparados em lâminas, o que permitiu observar estruturas internas e partes rígidas de sua anatomia.

A comparação dessas características com as de espécies já conhecidas mostrou que os organismos encontrados apresentavam diferenças suficientes para serem considerados duas novas espécies.

Destas, uma apresentou novas estruturas de aparelho reprodutor com um formato semelhante a uma haste, projeção lateral em uma das extremidades e uma formação parecida com uma tampa na outra.

Já a outra, mostrou uma estrutura utilizada para fixação no hospedeiro com formato semelhante a um tridente. Outra estrutura relacionada ao aparelho reprodutor apresenta formato parecido com uma pera.


Nomes homenageiam pesquisadora e Mata Atlântica

Uma das espécies, a Diaphorocleidus santosclappae, recebeu esse nome em homenagem à pesquisadora Michelle Daniele dos Santos-Clapp, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), reconhecida pelo seu trabalho de parasitologia de peixes e  formação acadêmica de estudantes, especialmente da primeira autora deste estudo.

Já a espécie Jainus mataatlanticaensis recebeu esse nome em referência à Mata Atlântica, bioma onde foi encontrado.

Descoberta ajuda a conhecer biodiversidade do Rio

Segundo a Fiocruz, essas duas novas espécies representam a quarta e a quinta espécies da família Dactylogyridae descritas nesses peixes no estado do Rio de Janeiro.

De acordo com os pesquisadores, o levantamento de parasitos de peixes precisa ser ampliado, principalmente em áreas urbanas com a presença de Mata Atlântica.

A região onde os animais foram encontrados tem 430 hectares e inclui áreas dos vales dos rios Engenho Novo e Pavuninha, no Maciço da Pedra Branca. Desse território, 262 hectares fazem parte do Parque Estadual da Pedra Branca.

Um levantamento anterior registrou 32 espécies de peixes de água doce no Maciço da Pedra Branca. Até então, nenhuma delas havia sido investigada em relação a vermes parasitos.

Segundo os autores dessa pesquisa, novos estudos ainda serão necessários para investigar outras espécies para entender melhor a relação entre espécies de peixes evolutivamente próximas e as semelhanças observadas nos parasitos.

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