
Um homem que se passava pelo técnico Luís Castro, hoje no Grêmio, para aplicar golpes em jogadores de futebol foi preso nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, o criminoso através do perfil falso em um aplicativo de mensagens chegou a conseguir uma transferência de R$ 22,5 mil de um atleta do clube Gaúcho.
A prisão ocorreu durante a Operação Falso 9, realizada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 4ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, com apoio da 126ª DP (Cabo Frio) e da 143ª DP (Itaperuna). A ação cumpriu um mandado de prisão preventiva e dois de busca e apreensão no município fluminense.
Segundo confirmou a Polícia Civil ao iG, o homem será julgado como autor de crimes como estelionato mediante fraude eletrônica e falsa identidade.
Como funcionava o Golpe
Segundo as investigações, o suspeito entrou em contato pelo WhatsApp com quatro jogadores do elenco profissional do Grêmio com uma linha telefônica registrada em nome de um terceiro e a fotografia do técnico da equipe.

Nas abordagens, se passando pelo técnico Luís Castro, o criminoso chegou a dar orientações profissionais do dia a dia do clube aos atletas para ganhar credibilidade, como pedir para comparecerem mais cedo ao centro de treinamento no dia seguinte.
Com um dos jogadores, o criminoso manteve conversas durante vários dias e perguntava sobre a rotina, família e o desempenho nos treinamentos, além de elogiar sua dedicação.
Depois de estabelecer uma relação de confiança, o homem pediu que o jogador não comentasse sobre as conversas com os demais companheiros do elenco. A intenção, segundo os investigadores, era evitar que a fraude fosse descoberta.
Depois de conquistar a confiança do atacante Enamorado, uma das vítimas do golpe, o criminoso fez o primeiro pedido financeiro.
Ele afirmou que a algum tempo ajudava um grupo social do Rio de Janeiro com doações de cestas básicas. Ele chegou a citar que outros jogadores de clubes por onde teria passado também já haviam participado dessa iniciativa. Em seguida, perguntou se o atleta gostaria de colaborar.
A proposta envolvia a compra de 300 cestas básicas de R$ 75 cada, com um valor total de R$ 22.500.
Depois de fazer a proposta, o falso Luís Castro enviou a chave Pix para Enamorado em nome de uma falsa instituição, e o jogador decidiu ajudar sem perceber que estava sendo enganado.
Na transferência, uma primeira tentativa foi impedida pelo limite diário de movimentação bancária do jogador. Mas o pagamento foi dividido e feito uma parte na hora, e a outra no dia seguinte.
Depois de concluído o golpe, o homem que foi preso ainda encaminhou ao jogador uma nota falsa de confirmação de que as cestas haviam sido compradas pela tal instituição.
Golpista tentou levar mais R$ 50 mil

Ainda no mesmo dia, vendo que conquistou a confiança do atacante, o criminoso tentou aumentar o prejuízo da vítima.
Ele afirmou que outro atleta, que estaria jogando fora do Brasil e não poderia responder naquele momento por causa do fuso horário, também queria contribuir com o projeto social.
A suposta doação seria de 600 cestas básicas, no valor de R$ 50 mil. O falso técnico pediu que o jogador do Grêmio adiantasse o dinheiro, com a promessa de que esse suposto outro jogador o devolveria posteriormente.
A segunda transferência não foi concluída, mais uma vez, porque o valor também ultrapassava o limite diário de movimentação bancária do jogador.
Outros três atletas do Grêmio foram abordados pelo criminoso no memo modus operandi, mas não chegaram a realizar pagamentos.
Kannemann e outros jogadores foram abordados
Entre vários jogadores que foram abordados em algum momento, estão atletas conhecidos no cenário nacional de Grêmio e Internacional como o zagueiro Walter Kannemann, hoje no tricolor de Porto Alegre.
Outro abordado foi o ex-jogador e ídolo do Internacional Andrés D'Alessandro, que também não sofreu prejuízo financeiro.
Além de atletas ligados a clubes brasileiros, o número utilizado pelo criminoso entrou em contato com um jogador de uma equipe do futebol europeu e com um artista brasileiro de grande popularidade que não tiveram os seus nomes divulgados.
Dinheiro passava por contas de laranjas
A investigação avançou após a Justiça autorizar o afastamento dos sigilos bancário e telemático dos envolvidos.
A partir da análise dos dados, os policiais conseguiram reconstruir parte do caminho percorrido pelo dinheiro e identificar se o homem operava a partir de uma estrutura montada em Itaperuna, local onde a prisão aconteceu.
Os valores obtidos por meio das fraudes eram inicialmente depositados em contas bancárias de moradores da região, que atuavam como laranjas, antes de chegar ao suspeito.
Suspeito já havia sido preso em 2024
De acordo com informações de inteligência compartilhadas entre as polícias do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, o investigado possui passagens por clubes de futebol.
Segundo a polícia, essa experiência no meio esportivo teria facilitado a abordagem dos jogadores, já que o criminoso conhecia a rotina dos atletas e utilizava informações relacionadas ao ambiente dos clubes para reafirmar a credibilidade da falsa identidade.
O homem já havia sido preso em flagrante em 2024 por um crime semelhante, segundo a Polícia Civil.
Polícia orienta atenção com pedidos de dinheiro
Ao iG, o Delegado Gabriel Lourenço da 4 DP do Rio Grande do Sul, enviou uma nota elertando que:
Qualquer pedido de transferência financeira recebido por aplicativos de mensagens, ainda que partindo de contato aparentemente conhecido, seja sempre confirmado por outro meio de comunicação antes da efetivação de qualquer pagamento especialmente quando envolver pedidos de sigilo perante terceiros ou justificativas urgentes e apelos de caráter solidário. Gabriel Lourenço - Delegado da Polícia Civil