Médico Bolivar Guerrero Silva sendo preso
Reprodução/TV Globo
Médico Bolivar Guerrero Silva sendo preso


“Doutora, pelo amor de Deus, me tira daqui”. Foram essas as palavras que uma paciente — que estaria internada em cárcere privado no Hospital Santa Branca, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense — pediu na última sexta-feira à delegada Fernanda Fernandes, titular da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias. De acordo com a Polícia Civil, a vítima está na unidade há cerca de dois meses após ser operada pelo dono e médico do local. O equatoriano Bolivar Guerrero Silva, de 63 anos, foi preso em flagrante nesta segunda-feira (18) quando fazia uma abdominoplastia na unidade.

— Esse apelo fez com que a gente se preocupasse. Além disso, o que chamou a atenção foi a negativa da unidade em fornecer o prontuário médico. A situação que encontramos a vítima também nos preocupou muito, e por isso deliberamos pela prisão — conta ao GLOBO a delegada Fernanda Fernandes, titular da especializada. — Agora, ela não mais está em cárcere. Mas há indícios de que esteve. Nós pedimos a documentação, eles negaram. Tentamos entrar e eles impediriam. Quando entramos, ela não tinha condições de sair. Por isso, existe indícios de cárcere — disse a delegada.


No Plantão Judiciário, a justiça determinou que o especialista fique preso por 10 dias. Mas, por conta do aparecimento de mais quatro mulheres que se dizem vítimas, a delegada pediu no começo da tarde desta segunda à revogação de mais 10 dias.

— Com o CRM suspenso ele está impedido de operar. Até agora, quatro mulheres já ligaram para a delegacia — contou a delegada.

O Cremerj se pronunciou sobre o caso: "Tendo conhecimento do caso pela imprensa, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) abriu sindicância para apurar os fatos. Todo procedimento segue em sigilo de acordo com os ritos do Código de Processo Ético-Profissional".

Médico nega o cárcere

Em depoimento, Bolívar negou que mantinha a mulher em cárcere privado. Ele disse que a mulher estava recebendo todo o cuidado necessário e que ela não poderia receber alta médica. Ele lembrou ainda que a mulher estava com uma acompanhante, e por isso não pode se configurar cárcere privado.

Por isso, a delegada vai solicitar um pedido do Instituto de Criminalística Carlos Eboli (ICCE).

— Não sabemos ainda a real situação do médico. Não sabemos como é seu real estado de saúde. Pedimos com urgência o prontuário para alegar a gravidade, porque ela dizia sofrer caso de risco e eles não passaram — destacou a delegada. — Ele (o cirurgião) negou e disse que ela estava lá porque ela queria e que a unidade estava prestando toda a assistência. Mas, não bate com o depoimento da vítima que disse que pedia a transferência e chegou a até entrar na justiça — destaca delegada.

A polícia apura se a mulher passou por oito cirurgias e quer saber onde essas operações aconteceram.

— Ela foi induzida a fazer várias cirurgias — disse Fernanda Fernandes.

Antes da prisão de Bolívar, os parentes da mulheres conseguiram uma liminar na justiça para a transferência dele. Entretanto, a medida não foi cumprida. Agora, com uma nova determinação da justiça, eles aguardam o local para onde ela será transferida.


— Vamos registrar todos os boletins de ocorrência das vítimas.

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