Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, foi enterrada neste sábado no no Cemitério de São Francisco de Paula, no bairro do Catumbi, na Zona Portuária do Rio
Sandro Vox/Agência O Dia
Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, foi enterrada neste sábado no no Cemitério de São Francisco de Paula, no bairro do Catumbi, na Zona Portuária do Rio

O corpo da estudante Raquel Antunes da Silva, de 11 anos, que morreu dois dias após ser imprensada em um poste por um carro alegórico, está sendo velado, na manhã deste sábado (23), e será sepultado no Cemitério São Francisco de Paula, no Catumbi, na Região Central do Rio. Ao chegar no local, a manicure Marcela Portelinha Antunes, mãe da menina, passou mal, foi amparada por amigos e familiares e atendida por uma equipe do Samu. Um inquérito instaurado na 6ª DP (Cidade Nova) investiga as causas do acidente. Até o momento, já foram ouvidos o motorista da alegoria, que foi apreendida, e ainda coordenador de dispersão da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liga-RJ).

"Eu quero minha menina. Isso não tem que ficar assim", gritou Marcela, que está grávida de três meses e vestia uma camisa com a frase: "Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós".

De acordo com as investigações, Raquel estaria, com outras crianças, em cima do ‘Embarque no famoso 33’, da Em cima da hora, na altura do número 350 da Rua Frei Caneca, por volta de 22h50 da última quarta-feira, dia 20. Ela não teria pulado, assim como as demais, a tempo de evitar o acidente e acabou imprensada em um poste. Socorrida ao posto médico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) no Sambódromo, a menina foi encaminhada ao Hospital Municipal Souza Aguiar, também no Centro do Rio, onde chegou a passar por uma cirurgia. Ela sofreu luxação exposta no tornozelo esquerdo, fraturas expostas dos fêmures e fratura de rádio distal esquerda.

Nesta sexta-feira, a delegada Maria Aparecida Salgado Mallet, titular da 6ª DP, determinou a apreensão do ‘Embarque no famoso 33’, que foi levado para um barracão, na Região Portuária, e está a disposição de novas perícias complementares de profissionais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE), que o analisaram e o fotografaram e trabalham para determinar as causas do acidente. Na próxima segunda-feira, devem ser ouvidos na delegacia o presidente administrativo da escola de samba e um auxiliar do motorista do reboque que puxava a alegoria.

Segundo o Corpo de Bombeiros, nem o ‘Embarque no famoso 33’, nem os demais carros alegóricos da Série Ouro que desfilaram na primeira noite do carnaval, na Marquês de Sapucaí, foi vistoriado e recebeu autorização do órgão para entrar na Avenida. Por três vezes, houve uma tentativa de notificar a Liga para informar que nenhuma das escolas do antigo Grupo de Acesso pediram a vistoria para suas alegorias. Por conta disso, nenhum deles teria autorização para desfilar.

Ainda segundo o Corpo de Bombeiros, a última tentativa aconteceu horas antes de os desfiles começarem, na noite de quarta-feira. Para ontem, apenas quatro das oito escolas solicitaram a vistoria. Uma das escolas que não solicitaram o pedido para a análise foi a Em Cima da Hora, agremiação de Cavalcanti, na Zona Norte do Rio. No Grupo Especial, todas as escolas já protocolaram seus documentos, que estão sendo analisados.

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O ‘Embarque no famoso 33’ já havia apresentado problemas ainda no desfile: houve dificuldade de movê-lo na concentração e durante o desfile na Sapucaí durante metade da apresentação. Antes de passar pela Avenida, o carro precisou se movimentar ao menos sete vezes até ser posto dentro do sambódromo.

Em depoimento prestado também na 6ª DP, o motorista José Crispim Silva Neto, coordenador de dispersão da Liga-RJ, contou que, antes de Raquel ter sido imprensada contra um poste, ouviu pessoas gritando “Para o reboque, tem uma menina em cima do queijo” e “Tem criança em cima do carro”. Ele relatou ainda que a menina foi a única das cinco crianças que não conseguiu descer a tempo de o carro alegórico da Em cima da hora colidir e chegou a vê-la caída no chão com fraturas expostas nas pernas.


No depoimento, ao qual O GLOBO teve acesso com exclusividade, José Crispim Silva Neto contou que, por volta de 22h50, estava caminhando pela Frei Caneca ao lado esquerdo do reboque que estava puxando o carro alegórico da Em cima da hora. Ao ouvir os gritos, ele afirmou que a alegoria estava devagar e logo parou. As outras quatro crianças então desceram do carro, mas Raquel não teria conseguido, sendo imprensada contra o poste.

José Crispim Silva Neto disse que é comum que diversas crianças esperem a passagem de carros alegóricos para subir e tirar fotos. Ele ressaltou que não é sua função guiar o reboque e estava no local tão somente para acompanha-lo.

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