O estudante Caio Douglas Nascimento, que receberá alta hospitalar nessa segunda-feira
Reprodução - 25.04.2022
O estudante Caio Douglas Nascimento, que receberá alta hospitalar nessa segunda-feira

Por volta de 14h de 1º de fevereiro, a corretora de seguros Alexsandra Nascimento e o filho, o estudante Caio Douglas Nascimento, voltavam de um fim de semana em um sítio com amigos em Magé, na Baixada Fluminense, quando, por conversarem e ouvirem música, se distraíram e acabaram entrando por engano na Estrada Porto Velho, próxima à Cidade Alta, em Cordovil, na Zona Norte do Rio. Rapidamente, o Grand Siena dirigido por ela foi alvejado por três tiros de fuzil, tendo um deles atingido o lado direito da cabeça do rapaz . Após quase três meses internado no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, o jovem, que responde bem ao tratamento, tem alta prevista para as 10h desta segunda-feira, dia 25 - data em que completa 19 anos.

"A todos que me perguntavam se eu acreditava que meu filho sairia vivo dessa, eu nunca hesitei. Agora, novamente posso garantir: além de vivo, ele irá se recuperar totalmente, vai andar, mexer os braços, conseguir falar e comer. Caio é um guerreiro nato, tem sido meu presente diário, e eu, por ele, acabei me tornando uma referência de fé e amor para os pacientes e os funcionários que cruzo todos os dias" emociona-se Alexsandra.

Com a notícia de que o filho fora levado, após uma intervenção neurocirúrgica, para a UTI da unidade de saúde em estado grave e que inspiraria por seus cuidados, Alexsandra perdeu o emprego. Desde então, conta com a ajuda de familiares para custear as despesas com transporte e alimentação. Com Caio em um quarto de enfermaria há cerca de um mês, ela permanece com ele, de segunda a segunda, entre 8h e 20h. Nesse horário, é rendida pela filha mais velha, Ana Carolina Fernandes, de 23 anos, que acompanha o irmão durante as madrugadas.

"O Caio sofreu uma lesão extensa e grave no lobo frontal do crânio, que deixou sequelas na parte da cognição, como dificuldades para raciocinar, entender, falar e se movimentar. Além de todo o tratamento e acompanhamento que recebeu por parte da equipe, sem dúvida alguma a vontade de viver dele e da mãe o levou a uma evolução surpreendente e comovente. Acreditamos, sim, estarmos diante de um milagre" conta o médico Herbert Gonçalves Krettli, especialista em Clínica Médica.

"Ele é um paciente que fugiu de todas as nossas previsões diante da grande maioria da população que sofre um trauma dessa intensidade. Apesar de ser jovem e sem comorbidades, o que eleva seu potencial de recuperação, e ter tido a oportunidade de acesso a uma estrutura de saúde especializada, toda a energia dispensada pela mãe durante o tratamento o ajudaram e continuam ajudando em todas as etapas do tratamento" completa o médico Sandro Oliveira, coordenador do setor de Terapia Intensiva do Hospital Getúlio Vargas.

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Alexsandra conta que Caio recebe sessões de fonoaudiologia três vezes por dia e de fisioterapia, duas. Os profissionais auxiliam o jovem a reaprender a respirar, a comer, a falar e a fazer exercícios, movimentando seus braços e pernas, para lhe devolver a coordenação motora. Além das técnicas convencionais, a corretora de seguros diz ter criado estímulos para conseguir se comunicar com o filho e fazê-lo evoluir nos tratamentos:

"Desde os primeiros dias, percebi que ele me respondia com o olhar. Então passei a colocar fones para ele ouvir mensagens de amigos, a perguntar sobre cores, a mostrar vídeos no meu celular. Conto com o apoio maravilhoso de todos os profissionais de saúde do hospital e mantenho o pensamento positivo a todo o momento. Caio está fora da curva dos melhores dos prognósticos."

Com a alta hospitalar, Alexsandra conta que terá o atendimento domiciliar ao filho pela Clínica da Família Dante Romano Junior, em Marechal Hermes, na Zona Norte da cidade. Além de uma cama adaptada, ele irá precisar de cuidados com a traqueostomia e com uma sonda para alimentação, além de manter as consultas intensivas com os fisioterapeutas e fonoaudiólogos:

"No dia seguinte que o Caio foi baleado, ele iria começar a servir o Exército. Naquela época, eu também estava envolvida em um projeto para abrir uma loja. Então, não foi só o sonho dele que foi interrompido nessa tragédia, mas o meu também. Em compensação, eu pude conhecer o maior amor do mundo, que é cuidar do meu filho. Agora, assistir a sua melhora, nem que seja lentamente, é maravilhoso!"

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