Maternidade Célia Câmara
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Maternidade Célia Câmara


Goiânia não alcançou 61 das 115 ações previstas na Programação Anual de Saúde (PAS) de 2025, o equivalente a 53,04%. As outras 54 foram cumpridas, segundo o Relatório Anual de Gestão (RAG). Entre os resultados abaixo do esperado estão indicadores de mortalidade materna, vacinação infantil, atendimento do Samu e abastecimento de medicamentos.

Em resposta ao iG, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou os números. A pasta afirma, porém, que o descumprimento de uma meta, isoladamente, não comprova interrupção ou redução de serviços. Segundo a secretaria, os atendimentos essenciais permaneceram em funcionamento durante o ano.

Na saúde materna, o relatório registrou sete mortes, acima do limite de seis estabelecido no planejamento. O indicador não informa em quais hospitais ocorreram os óbitos nem atribui as mortes a falhas específicas. Também não foi alcançada a meta de redução da incidência de sífilis congênita.

Os resultados vieram após um período de crise na rede. Em dezembro de 2024, o Estado decretou intervenção na saúde de Goiânia, com o objetivo de normalizar os serviços. No início de 2025, a prefeitura também declarou calamidade na Secretaria Municipal de Saúde.

Nas maternidades, as dificuldades continuaram. Em julho de 2025, a interrupção dos serviços de anestesiologia na Célia Câmara impediu a realização de partos normais e cesarianas. A suspensão de atendimentos também foi registrada na Nascer Cidadão. À época, a Fundahc atribuiu as restrições a atrasos nos repasses municipais; a prefeitura afirmou ter transferido mais de R$ 115 milhões à fundação em 2025.

No fim de agosto, a gestão das maternidades mudou: a Sociedade Beneficente São José assumiu a Célia Câmara, e a AHBB, a Nascer Cidadão. A troca ocorreu após a saída da Fundahc. Leia sobre a mudança de gestão.

As metas não alcançadas também atingiram a urgência. O tempo médio de resposta do Samu nas transferências de pacientes das unidades próprias foi de 149 minutos, ante o objetivo de até 80 minutos. O resultado considera dados de janeiro a outubro.

Nas internações por infarto, a proporção de mortes ficou em 7,21%, acima do teto de 6%. O relatório apontou falta de profissionais especializados, de laboratórios disponíveis 24 horas e de medicamentos necessários ao protocolo clínico.

Na vacinação infantil, nenhuma das quatro vacinas selecionadas atingiu a cobertura prevista. Isso não significa que doses deixaram de ser aplicadas. A SMS relacionou as dificuldades à falta de profissionais e ao fechamento de salas de vacinação.

A atenção domiciliar teve cobertura de 34,79% em novembro, ante a meta de 70%. O documento informa que as equipes foram desabilitadas em junho e cita dificuldades de logística, de composição das equipes e de registro dos atendimentos.

Em dezembro, a disponibilidade de medicamentos essenciais no almoxarifado ficou em 71,89%, abaixo dos 75% previstos. A secretaria relatou licitações frustradas e demora nos processos, que provocaram atrasos ou cancelamentos de entregas.

O Conselho Municipal de Saúde rejeitou o RAG por 18 votos a cinco, com uma abstenção, em 29 de julho de 2026. A resolução, publicada em outubro, aponta divergências entre gastos e execução das metas, além de justificativas técnicas consideradas insuficientes. Acesse a resolução do Conselho.

Há uma diferença nos totais apresentados: o RAG e a SMS contabilizam 115 ações, com 54 cumpridas e 61 não cumpridas; a resolução do Conselho registra 117 metas, sendo 55 cumpridas e 62 não cumpridas. A SMS afirma que não houve mudança de versão ou de metodologia. Também diz que não foi convidada para reuniões da comissão de orçamento nem recebeu pedidos oficiais de esclarecimento antes da votação. A resolução registra manifestações da gestão durante o debate em plenário.

Após a votação, a Diretoria de Políticas de Saúde emitiu parecer técnico, e a Advocacia Setorial recomendou ao Conselho reconsiderar ou reanalisar o relatório. Sobre recursos de programas e emendas parlamentares citados pelo Conselho, a SMS afirma que a resolução não identifica quais são e que valores empenhados, mas ainda não pagos, não caracterizam por si só ausência de aplicação.


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