Aedes aegypti
Fábio Mota/Agência Estado
Aedes aegypti

Anápolis, em Goiás, começou nesta terça-feira (13) a distribuir recipientes com ovos de mosquitos Aedes aegypti que carregam a bactéria Wolbachia, utilizada para reduzir a transmissão de dengue, zika e chikungunya.

A previsão é instalar os dispositivos em mais de 5 mil pontos nas próximas três semanas. A operação enolve 60 agentes de endemias, com o apoio do Corpo de Bombeiros e do Programa Linha de Frente.

Os locais foram selecionados com base no histórico de notificações das doenças nos últimos 12 anos. A implantação é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em 2024, Anápolis registrou 39.057 casos confirmados de dengue e 53 mortes, segundo dados levantados pela reportagem do iG  no painel da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). No ano seguinte, foram 2.123 confirmações e cinco mortes. Em 2026, até a semana epidemiológica encerrada em 10 de outubro, o município contabiliza 1.543 casos confirmados e uma morte. O número de confirmações é 23% menor que o registrado no mesmo período de 2025.

O Método Wolbachia já é utilizado em outras cidades brasileiras, como Niterói (RJ), Campo Grande (MS) e Petrolina (PE). A estratégia busca estabelecer uma população de Aedes aegypti com menor capacidade de transmitir os vírus, a partir da reprodução dos mosquitos que carregam a bactéria com os que já vivem nessas áreas.

Em Anápolis, a liberação ocorre por meio de recipientes que contêm ovos, água e alimento para as larvas. Os insetos completam o desenvolvimento dentro desses dispositivos e, quando adultos, saem por pequenas aberturas. São os chamados Wolbitos.

A Wolbachia dificulta o desenvolvimento dos vírus dentro do mosquito e passa às gerações seguintes. Com o tempo, a expectativa é ampliar a presença da bactéria na população local de Aedes aegypti. O método não envolve modificação genética dos insetos.

As equipes municipais vão acompanhar os dispositivos e monitorar a presença da Wolbachia nos mosquitos. A orientação aos moradores é preservar os recipientes e comunicar eventuais danos pelo telefone 156. A eliminação dos demais criadouros continua necessária, com cuidados como manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas e retirar objetos que acumulem água.




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