
Cinco meses depois da decisão judicial que determinou a retirada de centenas de gatos de um apartamento em Concórdia (SC), 220 animais ainda aguardam um novo lar. Conforme a Diretoria de Proteção e Bem-Estar Animal (Dibea), os gatos apresentavam sinais de medo e estresse, mas estão recuperados e aptos à convivência familiar.
Ao iG, Juliana Lupato Zucchi, Diretora de Proteção e Bem Estar Animal afirma que 220 gatos foram resgatados ao todo, sendo que somente 10 foram adotados, enquanto outros 10 nasceram. Com isso, a baixa procura pela adoção é o principal desafio atual.
Os animais seguem sob cuidados de uma clínica contratada pela prefeitura municipal. Conforme a determinação judicial de maio, a prefeitura de Concórdia (SC) ficou responsável pela guarda dos gatos e, posteriormente, encaminhamento à adoção.
Prazo de adoção termina no dia 24 de novembro
No dia 28 de maio foi decidido que os gatos deveriam receber tratamento veterinário, castração, microchipagem.
Em Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) anterior, firmado com a tutora, seriam 180 dias para as adoções. O prazo que termina no dia 24 de novembro, caso tenha sido mantido. O processo corre sob sigilo.
Ainda segundo a Prefeitura de Concórdia (SC), no dia 08 de setembro 20 gatos machos já estavam tratados e aptos para a adoção. Desde então, todos os 220 foram disponibilizados, mas somente 10 efetivamente adotados.
Ao iG, Juliana disse que é preciso intensificar a divulgação e a conscientização sobre a adoção responsável dos animais resgatados, com campanhas, feiras de adoção, redes sociais, ONGs e protetores.
Anteriormente, a prefeitura informou que optou por disponibilizar um contato de WhatsApp para adoção, ao invés de realizar feiras, o que causaria menos exposição dos animais.
O contato deve ser realizado diretamente entre o Dibea e interessados no número (49) 3441-2150.
O iG procurou a Prefeitura Municipal sobre o que pretende fazer para dar celeridade às adoções, mas não obteve retorno até última atualização. O espaço segue aberto.
Além da clínica especializada, ONGs e o IFSC de Concórdia auxiliaram com o tratamento, castração e demais cuidados com os animais resgatados.
Recuperação dos animais
Conforme Juliana, os animais foram vítimas de maus-tratos e apresentavam sinais de estresse e medo compatíveis com a situação que viveram, de longos períodos de privação e ausência de interações positivas com pessoas.
Eles escondiam-se, evitavam qualquer contato humano, reagiam de forma defensiva diante de aproximações e demonstravam desconfiança constante Juliana Lupato Zucchi, Diretora de Proteção e Bem Estar Animal
O comportamento poderia ser um obstáculo para uma adoção. Contudo, após o resgate, os animais foram submetidos a acolhimento, atendimento veterinário, rotina estável e alimentação adequada. Agora, se mostram aptos, acessíveis, curiosos e confiantes.
Um gato que brinca e busca companhia é um animal que passou a se sentir seguro Juliana Lupato Zucchi, Diretora de Proteção e Bem Estar Animal
Por outro lado, a diretora alerta que, mesmo dóceis e sociáveis, a procura pela adoção tem sido insuficiente e que a permanência prolongada no abrigo não substitui a convivência em um lar.
Relembre o caso
A Justiça determinou a retirada de todos os gatos encontrados em um apartamento de uma idosa de 73 anos em Concórdia (SC), após pedido do Ministério Público de Santa Catarina. A vistoria identificou pelo menos 119 animais em condições insalubres.
Eles deverão ser resgatados gradualmente conforme quadro clínico. A definição também determinou acompanhamento psicossocial para a idosa, que pode estar em condições de vulnerabilidade.
Inspeções sanitárias encontraram o apartamento hiperlotado de gatos entre os dias 21 e 22 de maio, com relatos de sujeira, fezes e risco sanitário. Ainda, laudos apontam agravamento clínico de parte dos animais.
O número total de bichos era desconhecido, apesar de suspeitas de que cerca de 400 gatos circulavam pelo local, que possuía acesso à rua.
Em abril, a idosa firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público para regularizar a situação.
O acordo previa controle populacional, medidas sanitárias e adoção dos animais. Segundo o processo, as obrigações não foram cumpridas, o que motivou o novo pedido do ministério, para remoção urgente de todos os gatos.
A Justiça aceitou a solicitação e entendeu que há risco aos felinos, à saúde pública e à própria tutora em decisão no dia 28 de maio.
Em junho, a tutora foi indiciada por maus-tratos e morte de animais pela Polícia Civil.