
O julgamento de dois policiais militares e um ex-PM acusados de matar o advogado Davi Sebba começou na por volta das 9h30 desta quinta-feira (1º), em Goiânia, mais de 14 anos após o crime. A previsão é que o julgamento dos três réus se extenda até sexta-feira (2). Pela manhã, segundo a repórter Ludmila Rodrigues, do Jornal Anhanguera, foram ouvidas três testemunhas, entre elas o irmão do advogado, a sogra e o delegado que investigou o caso.
São julgados o tenente Edinailton Pereira de Souza, o sargento Luiz Frederico de Oliveira e o ex-policial militar Jonathas Atenevir Jordão. Eles respondem por homicídio qualificado pelo uso de recurso que teria dificultado ou impossibilitado a defesa da vítima. O Ministério Público de Goiás (MPGO) diz, no inquérito, que o responsável pelo disparo que atingiu o peito do advogado, é Jonathas.
Davi tinha 38 anos quando foi morto, em 5 de julho de 2012, no estacionamento do hipermercado Carrefour. Naquela noite, ele havia saído para comprar fraudas para o primeiro filho, que nasceu horas depois da morte do pai.
A dinâmica da abordagem é um dos pontos centrais do julgamento. Os policiais estavam à paisana e alegaram que Davi reagiu e fez um movimento para buscar uma arma. A investigação contestou essa versão. Segundo o inquérito, a perícia apontou que o advogado estava com as duas mãos no volante quando foi atingido.
Trechos do relatório de investigação, publicados pela Agência Pública, mostram que a arma encontrada no carro foi "plantada pelos policiais militares envolvidos na abordagem", e que os militares "alteraram sobremaneira a cena do crime, recolhendo todos os estojos de munição existentes no local".
Na época da morte, Davi era monitorado pela Polícia Federal em uma investigação sobre tráfico de drogas. No entanto, não foram encontrados entorpecentes no carro nem na residência do advogado.
O processo passou por decisões e recursos antes de chegar ao julgamento dos três acusados. Em 2017, Edinailton e Luiz Frederico foram absolvidos em primeira instância, enquanto Jonathas foi encaminhado ao júri por homicídio simples. Após recursos da acusação, decisões posteriores reconheceram a qualificadora relacionada à dificuldade ou impossibilidade de defesa da vítima e determinaram que os três fossem submetidos ao julgamento popular.
A sessão estava inicialmente marcada para setembro, mas foi transferida para outubro por readequação da pauta. A Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás acompanha o julgamento por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas e da Comissão Especial de Defesa do Tribunal do Júri.