
O mês de setembro terminou de forma atípica no Atlântico Norte: nenhum furacão foi registrado na região.
Essa ausência em um mês que costuma ser o pico da temporada é extremamente rara. Desde 1950, quando a medição moderna teve início, isso só havia acontecido três vezes: nos anos de 1962, 1972 e 1994.
O principal causador dessa inibição foi o fenômeno El Niño, que provocou um grande aumento no cisalhamento do vento na Região Principal de Desenvolvimento (MDR). Isso acontece quando os ventos mudam de velocidade e direção em diferentes alturas da atmosfera, o que desorganiza a estrutura das tempestades e impede que elas ganhem força.
Apesar desse bloqueio, o Atlântico chegou a formar três tempestades tropicais em setembro, incluindo a tempestade Fay, que chegou a atingir cerca de 113 km/h, ficando próximo do limite de se tornar um furacão.
Essa calmaria em setembro abre uma possibilidade inédita na história do monitoramento moderno: a de a temporada inteira do Atlântico Norte terminar sem a formação de nenhum furacão. Na história registrada, apenas as temporadas de 1907 e 1914 encerraram o ano sem registrar furacões; ainda assim, ambas ocorreram décadas antes do sistema de satélites e dos aviões de reconhecimento, época em que a capacidade de rastrear tempestades em alto-mar era muito limitada.
Ao contrário do que ocorreu no Atlântico, o El Niño reorganizou o clima e alimentou uma temporada bastante movimentada no Pacífico Leste e Central. Ao todo, a região registrou 20 tempestades nomeadas, das quais três alcançaram a categoria 5. O caso mais impressionante foi o do furacão Polo, que ganhou força de forma rápida perto do litoral mexicano e chegou a registrar ventos de aproximadamente 290 km/h.