Romaria do Vão do Moleque reúne moradores e visitantes em celebração da fé e das tradições Kalunga, em Cavalcante
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Romaria do Vão do Moleque reúne moradores e visitantes em celebração da fé e das tradições Kalunga, em Cavalcante

A Romaria de Nossa Senhora do Livramento e São Gonçalo começa neste sábado (12), na comunidade Vão do Moleque, no Território Quilombola Kalunga, em Cavalcante (GO). Segundo a prefeitura, o festejo segue até quinta-feira (17) e mantém uma tradição iniciada há pelo menos 186 anos.

A celebração reúne moradores, romeiros e integrantes da comunidade que vivem em outras localidades e retornam ao território para rever familiares e participar dos rituais. Entre as práticas associadas à romaria estão rezas, levantamento de mastros, batizados, casamentos e a escolha dos festeiros responsáveis pela edição seguinte.

Além das cerimônias religiosas, música, dança, culinária e outros modos de fazer transmitidos entre geraçõe s integram o festejo. Para a secretária municipal de Turismo e Cultura, Dominga Natalia Moreira, essa continuidade mantém o vínculo entre a comunidade e seus antepassados.

“A força da celebração está justamente na continuidade. Os rituais, a religiosidade, a música, a culinária, os encontros e os modos de fazer são compartilhados entre diferentes gerações, mantendo viva uma tradição que integra o patrimônio cultural de Cavalcante”, afirmou.

Um estudo publicado em 2018, baseado em relatos de moradores Kalunga, registra que a primeira missa no local foi celebrada pelo padre Antônio em 1840. No ano seguinte, o religioso teria levado para a comunidade o sino instalado na capela de Nossa Senhora do Livramento.

Os depoimentos reunidos pela pesquisa indicam, porém, que o festejo já existia antes da chegada do sino e da construção da capela. A celebração teria passado por mudanças ao longo do tempo, inclusive com a reunião, em uma mesma romaria, das homenagens a santos anteriormente festejados em períodos diferentes.

A romaria também funciona como espaço de reencontro e organização comunitária. Durante os dias de celebração, famílias dispersas pelo território ou que se mudaram para outras cidades voltam ao Vão do Moleque, renovam vínculos e participam das decisões relacionadas à continuidade da festa.


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