Governo diz que tarifaço é injusto, em reunião com os EUA

Ministros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento participaram de reunião virtual com o representante de Comércio (USTR) do governo Trump

Exportações
Foto: Diego Baravelli/ Ministério da Infraestrutura (MINFRA)
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Dez dias depois do telefonema do  presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao presidente Donald Trump , o governo brasileiro voltou a manifestar insatisfação com as tarifas impostas pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos.  

Dessa vez, foram os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, e Márcio Elias Rosa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que participaram de uma conversa virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, Jamieson Greer.

De acordo com nota conjunta divulgada nesta segunda-feira (31), os ministros afirmaram aos representantes do governo Trump que não concordam com "o tratamento discriminatório" e "injusto" dos Estados Unidos contra produtos brasileiros.

Na nota, os ministérios afirmam que o intuito da reunião foi avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes daquele país em aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Afirmam ainda que o lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanos, “em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países”.

Ainda segundo a noite, o governo brasileiro reiterou que não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio . E mais uma vez alegaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.

Lula e Trump, em encontro que aconteceu em em outubro do ano passado
Foto: Foto: Ricardo Stuckert/PR
Lula e Trump, em encontro que aconteceu em em outubro do ano passado


A nota informa ainda que os dois lados concordaram em voltar a se reunir para “revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas”.

O governo brasileiro reitera que “seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os Estados Unidos, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional”.

Retomada

A reunião marca retomada das negociações sobre o tarifaço dos Estados Unidos contra exportações brasileiras. 

Recentemente, os Estados Unidos anunciaram uma sobretaxa de 37,5% sobre os produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Primeiro, foram 25% diante do entendimento da Casa Branca de que o Brasil adota práticas desleais contra empresários americanos em seis setores da economia. Depois, mais 12,5%, diante da alegação que o Brasil falha ao proibir ou fiscalizar a importação de mercadorias produzidas onde há trabalho forçado .


Em reação às medidas, o Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) , alegando que os Estados Unidos agiram de maneira discriminatória e feriram compromissos do próprio país na entidade. O governo americano já respondeu que está “à disposição” para conversar sobre o tema, mas não indicou se haverá reversão ou não.

No último dia 21, o presidente Lula disse a Trump, por telefone, que as alegações norte-americanas para a recente imposição de tarifas contra produtos brasileiros são "infundadas" .