TSE suspende redes e recursos da campanha de Renan Santos

Justiça Eleitoral identifica omissão de 16 perfis digitais dele e barra temporariamente o uso de verbas públicas por irregularidades no registro

Renan Santos (Missão)
Foto: Reprodução/redes sociais
Renan Santos (Missão)

Uma decisão cautelar deste domingo (30) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a divulgação na internet de propaganda eleitoral do candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão) . A medida também barra recursos públicos de sua campanha.

Segundo o ministro Dias Toffoli, a ação foi proferida dado o descumprimento das regras da transparência digital estabelecidas pela legislação eleitoral. A decisão atinge em cheio as estratégias da campanha nas redes sociais e financiamento.

Segundo o relator, uma controvérsia foi detectada no  pedido de registro de candidatura de Renan. A lei eleitoral determina que os candidatos informem à Justiça, já no pedido, todos os perfis de redes sociais e canais oficiais que serão usados para divulgar a propaganda.

O problema está não só na informação omitida, mas no prazo que foi desrespeitado. Os 16 perfis de Renan Santos nas plataformas digitais foram apresentados à Justiça Eleitoral com 12 dias de atraso em relação ao requerimento de registro inicial.

Apuração da Corte

A análise realizada pela  Corte do TSE indicou que, durante esse período e sem notificação prévia ao tribunal, os perfis do candidato continuaram ativos e difundindo conteúdos eleitorais .

Na decisão, Toffoli cita um perfil do Instagram que possui 2,4 milhões de seguidores e aparecia ainda, em esquemas de recomendação cruzada de conteúdos com nomes de terceiros que disputam o pleito e que lhe são afins.

Na conta mencionada da decisão do TSE, Renan se apresenta como 'censurado'
Foto: Reprodução/redes sociais
Na conta mencionada da decisão do TSE, Renan se apresenta como 'censurado'


Na fundamentação técnica do candidato, ressaltou-se que a omissão dos endereços eletrônicos interfere no equilíbrio e igualdade na disputa entre os concorrentes ao pleito.

A campanha eleitoral dura aproximadamente 45 dias. O ambiente digital é hoje meio preferencial de distribuição de conteúdos. A dinamicidade das redes permite que os atos de propaganda ocorram de forma ininterrupta e alcancem incontáveis usuários, sem as limitações dos tradicionais veículos de comunicação. A informação a destempo das fontes de difusão de propaganda digital não pode ser tratada como mera juntada tardia de um comprovante de escolaridade. Não há se falar em saneamento puro e simples, sob pena de se legitimar vantagens competitivas ilícitas decorrente da utilização fraudulenta do registro de candidatura para burla à paridade entre os competidores.
TSE









Decisão e consequências

A decisão interrompe de forma imediata as ações eleitorais na internet nas contas não cadastradas dentro do prazo e também, veda acesso do Renan Santos a verbas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário .

A medida também atinge a participação no  horário eleitoral gratuito da televisão e rádio, enquanto a situação jurídica do registro do candidato do Missão estiver sob análise.

Desde a decisão do TSE, publicada às 13h45 do domingo, a equipe jurídica de Renan Santos protocolou a partir desta segunda-feira (31), mais de 20 documentações no sistema judicial eletrônico sobre a decisão.