
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (26), após almoço com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) e do Senado, Davi Alcolumbre (União), um acordo para destravar uma série da pautas de interesse do Planalto que estavam paradas no Congresso.
Entre elas, está a Proposta de Emenda Parlamentar (PEC) que trata da redução da jornada de trabalho, a PEC do fim da escala 6x1, bandeira eleitoral de Lula na corrida à reeleição que estava parada no Senado desde maio, depois de aprovação na Câmara dos Deputados.
Depois do recesso de julho, o Congresso pausou as atividades durante o período eleitoral e definiu a realização de duas semanas de "esforço concentrado" para realizar votações antes do pleito. A primeira semana aconteceu no início de agosto e a segunda é agora, a partir de dia 31 de agosto.
A reaproximação de Lula e Alcolumbre, iniciada na semana passada com reunião na Alvorada, mobilizou os aliados de seu oponente na disputa da Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) , que iniciaram articulações para adiar a votação da 6x1 para depois das eleições.
Mas as negociações com o Congresso parece ter avançado nesta tarde. Segundo Lula, fazem parte do acordo a proposta que acaba com a escala 6x1, a criação de uma Política Nacional de Minerais Críticas e Terras Raras, o fim da chamada “taxa das blusinhas", e a PEC da Segurança Pública e o Redata, que cria condições favoráveis à atração de datacenters para o Brasil.
Alcolumbre disse que o Congresso votará na próxima semana a medida provisória que acabou com a chamada "taxa das blusinhas" e que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vai analisar as PECs que tratam da Segurança Pública e do fim da escala 6x1. Ele não garantiu, no entanto, que esses dois textos serão levados ao plenário principal da Casa na semana, do "esforço concentrado".
O presidente do Senado confirmou também a votação do projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos na próxima semana.
Troca de elogios
Depois do almoço, Hugo Motta disse estar feliz com o resultado da reunião e parabenizou o presidente Lula por liderar o acordo .
"Parabéns por liderar essa agenda e dizer que é isso o que o Brasil precisa: de diálogo, de cooperação e de trabalho conjunto entre o Congresso e o Poder Executivo”, disse.
Alcolumbre assumiu a retomada da relação com Lula após meses de esfriamento e a classificou como positiva para o país.
“Como o almoço foi um bom pretexto, eu quero lhe agradecer a oportunidade de estarmos aqui no Alvorada fazendo essa conversa e ouvindo do presidente do Brasil quais são as demandas prioritárias”, afirmou o presidente do Senado.
Lula afirmou, após a reunião desta quarta, que "ninguém está pedindo" que não haja divergências entre os políticos . "Importante é que tenha dimensão do que é principal e prioritário", declarou o presidente.