Funcionária sofre racismo no primeiro dia de trabalho em drogaria
DeeVisuals/Reprodução
Funcionária sofre racismo no primeiro dia de trabalho em drogaria

No seu primeiro dia de trabalho, a atendente Noemi Ferrari foi vítima de racismo durante sua própria apresentação para colegas de uma drogaria. A cena, registrada em vídeo, mostra uma funcionária fazendo comentários depreciativos sobre a cor de sua pele, criando uma situação de constrangimento.

*O texto aborda temas sensíveis, como racismo, podendo desencadear reações diversas em algumas pessoas

@_noemys "Sim, vocês estão VENDO e OUVINDO isso mesmo. Fui vítima não só de racismo, e não pretendo ficar em silêncio. Racismo e preconceito não é opinião, é crime. #RacismoÉCrime #Justiça #JuntoscomNono ♬ Surrender - Natalie Taylor


A situação ocorreu em uma loja da rede  Drogasil, que foi condenada  a indenizar em R$ 37 mil a atendente. O fato foi registrado em um vídeo que circulou em um grupo de WhatsApp da unidade.

O caso foi julgado e a sentença confirmada pela 6ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). No material, que serviu como prova, a funcionária que profere ofensas é ouvida dizendo frases como “ a loja está escurecendo ” e “ acabou a cota, negrinho não entra mais ”.

Ainda no material, postado nas redes sociais pela própria vítima, a outra funcionária a apresenta de maneira humilhante, questionando suas funções de forma depreciativa.

A colega diz durante a filmagem: “ Nossa, vai ficar no caixa? Que incrível! Vai tirar lixo? Que incrível! Paninho também passa no chão? ”.  Às perguntas, Noemi, visivelmente constrangida, responde “Sim”.


A decisão da justiça

Em sua defesa, a drogaria argumentou que os fatos não configurariam racismo, mas sim “ apenas uma brincadeira entre colegas de trabalho ”. Os argumentos, no entanto, não convenceram a juíza-relatora Erotilde Minharro.

Segundo a magistrada, não havia como interpretar a conduta como recreação. A relatora afirmou que a prática do racismo recreativo  “ se configura em uma forma de discriminação disfarçada de humor, na qual características físicas ou culturais de minorias raciais são associadas a algo desagradável e inferior, mas em forma de ‘piadas’ ou ‘brincadeiras’ ”.

Ela ponderou que, ainda que fosse um fato isolado, a conduta “ ofende a dignidade e a honra subjetiva da empregada, circunstância bastante grave e configuradora de dano moral ”.

Com a decisão, a indenização de pouco mais de R$ 37 mil, definida na primeira instância, foi mantida.

Posicionamento da empresa

Leia a nota completa da RD Saúde ao Portal iG sobre o ocorrido:

" Lamentamos profundamente o episódio que ocorreu em 2018. Reiteramos o compromisso da RD Saúde com o respeito, a diversidade e a inclusão. Nossa empresa não compactua com nenhum tipo de discriminação. Diversidade e respeito são valores primordiais.

Temos investido de forma consistente em desenvolvimento de carreiras e iniciativas de promoção e de equidade racial. Em 2024, encerramos o ano com mais de 34 mil funcionários pretos e pardos e nos orgulhamos de ter atualmente 50% das posições de liderança ocupadas por pessoas negras, resultado direto de programas estruturados de inclusão e valorização. Nosso propósito é continuar investindo em ações concretas para garantir ambientes de trabalho diversos e inclusivos e contribuir para uma sociedade mais justa e igualitária ."

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