Por trás de cada cadete que ingressa na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) existe uma história de superação. Mas é apenas no momento em que recebem o Espadim de Caxias, durante uma cerimônia carregada de simbolismo, que esses jovens sentem, de fato, que iniciaram a vida militar .
Foi o que aconteceu no sábado (16), em Resende (RJ), quando 404 integrantes do 1º ano da Turma General Leônidas Pires Gonçalves viveram um dos dias mais esperados de sua trajetória.
O Espadim de Caxias, réplica da espada do Duque de Caxias, patrono do Exército Brasileiro, é mais que um objeto: é um rito de passagem.
“É um símbolo muito importante para mim, um sonho que sempre tive desde criança”, disse o cadete Yan de Oliveira Batko, 21 anos, de Brasília (DF), primeiro colocado da turma, que recebeu seu Espadim das mãos do ministro da Defesa, José Mucio Monteiro Filho.
Um ritual quase centenário
A entrega do Espadim na AMAN acontece desde 1932 e marca a primeira vez que os cadetes usam o uniforme azul, conhecido como “Azulão”. É um momento que mistura tradição, solenidade e emoção. A cerimônia começa com a entrada da espada original do Duque de Caxias, conduzida por um cadete veterano, e segue com a apresentação da Bandeira Nacional, estandartes históricos e de nações amigas.
Entre os 404 novos cadetes deste ano, há representantes de todos os estados do Brasil e de nove países estrangeiros, como Cabo Verde, Camarões e Vietnã.
“Antes mesmo de abrir a oportunidade para o segmento feminino, eu já sonhava em estar aqui. Foram cinco anos tentando e, enfim, consegui. Hoje celebro a conquista do Espadim” , disse a cadete Sarah Raquel, uma das mulheres que conquistaram o direito de integrar as fileiras da AMAN.
Desafio para chegar até aqui
A jornada até o Espadim é longa e exige dedicação. Para conquistar uma das 440 vagas da AMAN, os candidatos enfrentam um concurso com mais de 39 mil inscritos, além de provas físicas e avaliações psicológicas. Antes de chegar a Resende, os cadetes passam pela Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), em Campinas (SP), onde permanecem por 20 meses.
Símbolo de compromisso
Durante a cerimônia, os cadetes fazem um juramento coletivo:
“Recebo o sabre de Caxias como o próprio símbolo da honra militar”.
Para o comandante da AMAN, general de brigada Marcus Vinicius Gomes Bonifacio, a frase resume a essência do momento.
“É um instante carregado de emoção e significado. Que vocês incorporem a máxima: ‘Ides comandar, aprendei a obedecer’”, disse.
O encerramento da solenidade se deu com a Canção da AMAN e a ordem de marcha, marcando o início oficial da vida militar dos novos cadetes. Para eles, o Espadim não é apenas uma espada em miniatura, é o início de um compromisso com o Exército e com o país.