Anderson Jerônimo intermediou a imigração ilegal de Lenilda dos Santos, morta na fronteira entre EUA e México
Reprodução - 30.06.2022
Anderson Jerônimo intermediou a imigração ilegal de Lenilda dos Santos, morta na fronteira entre EUA e México

A Polícia Federal prendeu um homem de 38 anos suspeito de ter intermediado a imigração ilegal da brasileira Lenilda Oliveira dos Santos, encontrada morta em uma área desértica na fronteira entre os Estados Unidos e o México, em 15 de setembro do ano passado. O GLOBO apurou que o investigado é Anderson Jerônimo de Souza, conhecido como "Piscuila". Em depoimento, nesta terça-feira, ele admitiu participação no tráfico de pessoas.

Detido na cidade rondoniense de Ouro Preto do Oeste, Piscuila atuava na organização da viagem das vítimas, no Brasil, e fazia contato com os coiotes mexicanos. O investigado está em prisão preventiva e é suspeito de promoção da imigração ilegal e de homicídio com dolo eventual, pela morte de Lenilda.

A enfermeira brasileira tinha 49 anos quando foi abandonada por coiotes e outros imigrantes que tentavam entrar nos EUA atravessando o deserto à pé. Enquanto esteve sozinha, Lenilda enviou áudios para a família.

Nas mensagens, ela tentava mostrar otimismo e acreditava que seus colegas voltariam para buscá-la, conforme prometeram. Mas sua voz demonstrava que estava debilitada. “Eu estou escondida. Manda ela trazer uma água para mim, porque não estou aguentando de sede”, diz em uma das mensagens.

"O suspeito [Anderson] sabia que as pessoas tinham que andar cerca de 65 km no deserto, ele sabia que isso não é fácil, sabia que colocava as pessoas em risco de vida. Então acredito que cabe o homicídio com dolo eventual, mas quem vai denunciar é o MP [Ministério Público]", explicou o delegado Lucas Ferreira Dutra.

Contatos no México

Uma tentativa frustrada de imigração ilegal para os EUA colocou Piscuila na rota do tráfico de pessoas. O investigado afirmou ter tentado entrar no território americano em 2016, mas foi pego pelas autoridades locais e mandado de volta ao Brasil. Desde então ele manteve contato com os coiotes mexicanos.

No ano passado, quatro brasileiros também foram barrados quando tentavam atravessar a fronteira entre os dois países. Piscuila então usou seu contato com os coiotes para desembaraçar a situação. O sucesso desta operação fez com ele ganhasse notoriedade em Rondônia.

Em depoimento, Piscuila afirmou ter começado a intermediar imigração ilegal em 2021. Ele assumiu ter enviado "15 ou 16" pessoas para os Estados Unidos, recebendo cerca de US$ 1 mil por cada vítima. Ao todo, cada imigrante pagava por volta de US$ 22 mil, mas a maior parte do dinheiro era entregue aos coiotes no México.

Piscuila disse que operava sozinho no Brasil, mas tinha outros dois envolvidos no esquema, ambos no México: um é brasileiro e o outro mexicano. No entanto, ele conhecia esses interlocutores apenas pelo primeiro nome, o que dificulta o avanço das investigações.

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