Mirtes Renata e Marta Santana, mãe e avó de Miguel, respectivamente
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Mirtes Renata e Marta Santana, mãe e avó de Miguel, respectivamente

Indignada com a  condenação de Sari Corte-Real a apenas 8 anos e seis meses pela morte de seu filho, em junho de 2020, Mirtes Renata Santana de Souza vai recorrer da sentença. Miguel Otávio Santana Filho, de apenas 5 anos, estava aos cuidados da ex-patroa quando caiu do quinto andar de um prédio de luxo, em Recife. Naquele momento, a mãe tinha saído com o cachorro da família. O menino tinha ido com ela para o trabalho porque não pôde ir à escola devido às restrições sanitárias impostas pela Covid-19. 

Mirtes também está inconformada porque, além de não ter pego a pena máxima, Sari, de acordo com a legislação brasileira, poderá permanecer em liberdade enquanto recorre da sentença. Ela foi condenada por abandono de incapaz com resultado morte na 1ª Vara de Crimes contra a Criança e o Adolescente de Recife.

“Na minha concepção, há todos os elementos necessários para que ela fosse condenada a pena máxima que é de 12 anos. Para mim, não há qualquer atenuante para o que ela fez. Ela é uma assassina, irresponsável e racista. Para essas pessoas, crianças pretas são mais espertas, sabem se virar, não precisam de cuidados. Foi claramente dessa forma que ela agiu com o Miguel. Tanto que no processo ela disse que falou para ele: ‘Vai que depois sua mãe te encontra’”, diz Mirtes.

No processo, Sari é condenada por abandono de incapaz com resultado morte e agravantes como fato de a vítima ser uma criança e o crime ter ocorrido em período de calamidade pública. A morte de Miguel aconteceu no dia 2 de junho. 

Enquanto Mirtes trabalhava, o menino ficou com Sari, que era na época primeira-dama do município de Tamandaré, onde o marido era prefeito. Ao saber que Mirtes estava no primeiro andar do prédio, a criança quis encontrá-la. Sari, que fazia as unhas, deixou que ele entrasse no elevador sozinho. 

Câmeras do condomínio mostram ela no corredor quando o menino entra no elevador, subindo do quinta para o nono andar, onde ficavam peças de ar-condicionado do edifício. Ele escalou a grade que protegia os equipamentos e caiu de uma altura de 35 metros.

Mirtes soube na portaria que alguém tinha caído e correu até o local, encontrando o filho ainda com vida, mas com dificuldade de respirar. Miguel morreu no hospital.

“Está tudo sendo muito duro, a luta é muito difícil, é pesada. Eu quero que ela receba pena máxima”, afirma a mãe de Miguel, acrescentando que a legislação brasileira prevê que o réu pode recorrer da sentença solto, mas observa que só os privilegiados tem acesso aos benefícios legais. 

“Tem um monte de gente que cometeu crime e que vai para a cadeia, mas algumas conseguem ter privilégios que outros não têm. Infelizmente, as leis são boas, mas são mal aplicadas.”

Logo após a morte de Miguel, Sari chegou a ser presa em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Mas ela foi solta após o pagamento de uma fiança de R$ 20 mil. Em entrevista ao Fantástico, da TV Globo. 


Sari chegou a dizer que acreditava que Miguel fosse saber voltar para o quinto andar e que nunca imaginou que aconteceria uma tragédia. "Eu acho que meu erro foi fazer igual como fazia com o meu filho, de achar que o elevador é seguro".

Mirtes também criticou a conduta do juiz José Renato Bizerra, da 1ª Vara dos Crimes contra a Criança e o Adolescente. De acordo com ela, o magistrado divulgou a sentença primeiramente para a imprensa e só depois para as partes interessadas no processo.

“Me causou estranheza o comportamento. Precisei que meu advogado fosse até o tribunal para ter acesso aos autos e conhecimento da sentença.”

Em sua sentença, o juiz José Renato Bizerra determinou que Sari cumpra a pena em regime fechado. No entanto, como Sari ainda pode recorrer a instâncias superiores, ela poderá continuar em liberdade até que o recurso seja julgado. A intenção da defesa de Sari é recorrer para que ela seja inocentada.

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