Pedra destrói casa, e morador é resgatado após mais de seis horas no Sampaio, na Zona Norte do Rio
Defesa Civil/Divulgação
Pedra destrói casa, e morador é resgatado após mais de seis horas no Sampaio, na Zona Norte do Rio

O jovem de 18 anos que ficou seis horas soterrado embaixo de uma pedra estava dormindo no momento em que sua casa foi destruída. O deslizamento aconteceu no Morro do Quieto na manhã do último sábado, no Sampaio, na Zona Norte  do Rio de Janeiro. Um bloco de uma rocha que ficava acima da casa de Lucas da Silva, de 18 anos, se rompeu, por volta das 5h, e destruiu o imóvel. A perna de Lucas ficou presa entre a perna e o colchão. Os bombeiros foram acionados às 5h40 e tiveram que usar um macaco hidráulico e pedaços de madeira para levantar a pedra e retirar o jovem do local, pouco depois das 11h.

Militares dos quartéis de Vila Isabel, Tijuca e Barra participaram da operação. Quando os militares conseguiram retirar o jovem do local, houve salva de palmas entre os vizinhos. Emocionada, a mãe de Lucas, Juliana, abraçou os bombeiros que resgataram o filho. A pedra que atingiu a casa tem dois metros de comprimento e pesa mais de uma tonelada. Por conta do resgate, uma faixa da Avenida Marechal Rondon ficou interditada durante toda a manhã e, segundo o Centro de Operações da prefeitura, o trânsito ficou intenso no local.

Lucas conseguiu se comunicar com os bombeiros durante todo o processo e estava consciente quando foi retirado de baixo da pedra. Ele foi encaminhado ao Hospital Salgado Filho. Segundo a Secretaria municipal de Saúde, o rapaz apresenta estado de saúde estável e estava em observação na unidade até o final da tarde de ontem.

O comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Leandro Monteiro, comemorou o resultado da ação.

"O sucesso no salvamento de hoje é resultado de muito estudo e prática, que permitem com que nossos militares dominem as técnicas necessárias para efetuar esse tipo de operação."

Segundo parentes do jovem, moravam no local, além de Lucas, sua mãe e mais quatro pessoas. No entanto, há cerca de um mês, o resto da família decidiu deixar o Morro do Quieto por medo de deslizamentos. As duas casas, que eram simples, construídas com madeira, ficaram completamente destruídas. Vizinhos contam que não estava chovendo no momento da ruptura da pedra e que só ouviram o estrondo da casa sendo destruída. Ao chegaram ao local, ouviram os gritos do jovem sob a pedra, pedindo ajuda e dizendo que não queria morrer.

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A Defesa Civil do município foi ao local para avaliar as condições de outros imóveis e interditou outras quatro residências após constatar risco de rolamento de outras pedras.

"A pedra se soltou, mesmo. Houve uma ruptura, a pedra se dividiu e se deslocou em pouco metros e foi para cima do barraco da moradia onde estava o Lucas", afirmou à TV Globo o superintende da Defesa Civil, Lauro Botto Maia.

Segundo Botto, o órgão já havia feito interdições na área por conta do risco de desabamento e da estrutura precária das moradias. A Fundação Instituto de Geotécnica (Geo-Rio), órgão responsável pela gestão de risco geológicos na cidade, alegou que recebeu boletins da Defesa Civil sobre a região, mas nenhum sobre o local específico onde a casa foi atingida. A Geo-Rio entrou emergencialmente no local do deslizamento e faz vistorias na região.

O prefeito Eduardo Paes esteve no local e acompanhou parte dos trabalhos de resgate. De acordo com Paes, obras do projeto Morar Carioca, de regularização fundiária e infraestrutura urbana, serão retomadas no Morro do Quieto.

"Era uma área não mapeada pela GeoRio. Na faixa final da comunidade do Quieto tem uma área ocupada por muitas pedras. A GeoRio está atuando. Determinei que levantasse no detalhe se precisa de alguma intervenção. O Complexo do Sampaio, nós começamos o Morar Carioca lá e foi interrompido no governo passado. Nós vamos retomar a obra ali. O Quieto e Matriz precisam dessa intervenção e vamos retomar o Morar Carioca lá", anunciou o prefeito.

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