Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp
Reprodução/Universidade Vanderbilt
Josué Gomes da Silva, presidente da Fiesp

O novo presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes, afirmou que não existem riscos para o país por conta do resultado das eleições presidenciais deste ano.

"Qualquer temor deveria deixar de existir. Não existem riscos para o país. O país não vai acabar nem retroceder (independentemente de quem ganhe). O Brasil não precisa temer quem quer que ganhe a eleição", afirmou ao ser questionado pelo GLOBO sobre eventuais riscos de fuga de capital em caso de uma vitória petista.

A declaração foi dada em encontro com jornalistas na sede da entidade na manhã desta quinta-feira, ao responder uma pergunta sobre eventuais receios no mercado financeiro quanto a uma possível vitória de um candidato da esquerda.

"O país pode continuar de maneira mais rápida e mais célere, dando dignidade a seu povo, ou não, mas não vai acabar. As instituições no Brasil são fortes. Estão sob ataque constantemente, mas são fortes", afirmou.

O executivo disse, ainda, que a urna eletrônica é confiável, em contraposição à posição do presidente Jair Bolsonaro, que por reiteradas vezes criticou a confiabilidade do voto eletrônico.

Ao comentar a recente declaração do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, sobre a diminuição de temores no mercado quanto a uma mudança de governo, Josué concordou e disse que Campos Neto "está dizendo o óbvio".

Reforma tributária

Gomes admitiu que não existe consenso no setor privado sobre que projeto de reforma tributária deve ser aprovado no Congresso, mas afirmou que vai defender a simplificação dos tributos e uma redução de carga tributária para a indústria de transformação.

O novo presidente da Fiesp disse ser contrário a concessões de subsídios verticais a setores da economia, salvo em situações de segmentos industriais inovadores e por um período de tempo definido. Para ele, a redução de carga tributária na indústria não pode acarretar aumento de impostos em outros segmentos, como o agronegócio e os serviços.

Mesmo com uma eventual redução na carga tributária, Gomes disse acreditar que a arrecadação não seria prejudicada.

"A gente não pode querer diminuir a carga tributária da indústria aumentando a carga de outros segmentos. (...) Vários estados tiveram a coragem de reduzir alíquotas e não tiveram impacto na arrecadação", ressaltou.

Gomes afirmou que a Fiesp contratou a consultora Vanessa Rahal, especialista em sistemas tributários, para ajudar a formar um consenso no setor privado em torno de um único projeto de reforma tributária.

"Vamos continuar pedindo redução de impostos de maneira horizontal para a indústria de transformação. (...) Não adianta ser (uma reforma) tecnicamente perfeita se não aprovada nunca. Vanessa vai estar a partir de março nos ajudando a trabalhar por um consenso de reforma tributária", salientou.

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Gomes afirmou não ver problemas ou conflitos de interesse com o fato de Rahal compor a equipe econômica do pré-candidato à Presidência João Doria (PASDB).

O novo presidente da Fiesp ainda criticou a falta de empenho do governo Bolsonaro para a aprovação de uma reforma administrativa. Segundo ele, o projeto encaminhado pelo Ministério da Economia "não está caminhando porque o governo não quer".

Relação com Lula e avaliação do governo Bolsonaro

Questionado sobre sua proximidade com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Josué disse que sua gestão na entidade será apartidária.

Ele diz que vai cumprir seus quatro anos de mandato à frente da Fiesp e que não concorrerá à eleição. Também refutou qualquer possibilidade de disputar cargos políticos nesse período. Seu antecessor, Paulo Skaf, comandou a entidade de 2004 até o mês passado em sucessivos mandatos e foi candidato a governador de São Paulo em três ocasiões (2010, 2014 e 2018).

"Não tenho partido político e nem posição política. Minha posição política é a indústria", ressaltou Gomes.

O dirigente da Fiesp não quis dizer qual é sua preferência política. Gomes é filho de José Alencar, que foi vice de Lula em seus dois mandatos presidenciais.

"O governo (Lula) deve ter acertado mais do que errado, dada a aprovação que teve. Minha proximidade do governo (à época) existiu, mas era distante, nos 12 anos em que meu pai passou em Brasília (como senador e vice-presidente), fui dez vezes para lá, mas como dirigente classista", afirmou.

Gomes disse que o primeiro governo de Jair Bolsonaro deve passar para a história como uma gestão que atacou instituições e disse esperar uma mudança em caso de reeleição.

"Provavelmente a nota histórica (sobre o governo Bolsonaro) vai ser de um governo que produziu muitos ataques às instituições, às vacinas, à Anvisa, à urna eletrônica, ao TSE, à imprensa, aos jornalistas. (...) Eu torço para que ele faça diferente se ele se reeleger", ressaltou.

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