Professor fantasiado de Ku Klux Klan
Reprodução/redes sociais
Professor fantasiado de Ku Klux Klan

O caso de um  professor que vestiu uma roupa que remete à Ku Klux Klan (KKK) — grupo extremista que defende a supremacia branca — em uma escola pública de Santo André, São Paulo, gerou repercussão após o vídeo com o registro viralizar nas redes sociais nesta semana.

A história apenas veio a público dias após o ocorrido, com denúncias impulsionadas por alunos e movimentos sociais, como o Coletivo Quilombo Dandara, do ABC Paulista, do qual faz parte uma das professoras da escola, Hainra Asabi.

A docente e o grupo defendem que o professor seja punido para que o crime de racismo não seja perpetuado e cobram mudanças na forma como as escolas abordam a cultura negra.

"O que defendemos agora é apenas a aplicação da Lei. Em casos como esse é necessário apontar responsabilidades. O professor precisa saber o papel dele, assim como a gestão escolar precisa ter uma postura assertiva, a comunidade precisa ser informada e a Secretaria de Educação deve ser acionada imediatamente. Nada disso aconteceu antes da repercussão nas redes sociais", defendeu Hainra.

A professora conta que o evento anual em que os alunos e funcionários se fantasiam já é uma tradição na Escola Estadual Amaral Wagner, mas defendeu que a roupa usada pelo professor é um símbolo racista, não uma caracterização.

Ela conta que foram os estudantes que abordaram o docente na quadra, reclamando da roupa que ele usava. O grupo apenas se afastou quando descobriu que se tratava de um professor.

Mudanças nas salas de aula

A professora Elly Bayó, integrante do Quilombo Dandara e conselheira municipal de educação de Santo André, destacou que, desde a ocorrência, muitos colegas de profissão argumentam que o professor "não teria agido por mal" e que ele, na verdade, queria gerar uma discussão sobre o tema racial, já que foi responsável por atividades relacionas à Consciência Negra na escola em novembro.

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Ela defende que situação revela a importância de se discutir racismo e a cultura negra nas escolas constantemente, não apenas em datas marcadas no calendário.

"A escola deveria trazer as narrativas e a cultura negra o ano inteiro. A legislação que rege a educação já prevê isso, mas não é colocada em prática. Nós, negros, precisamos fazer parte do cotidiano da escola como gente que produz cultura e saber. Nos tratam como um tema para novembro. É preciso sair desse lugar", ressaltou.

Também integrante do Coletivo, Robson Gonçalves, que atua como coordenador pedagógico da cidade de São Paulo, acredita que o caso pode servir de exemplo para outras comunidades escolares.

"Para esse professor, pareceu normal usar uma roupa da Ku Klux Klan. Isso não é normal e precisamo deixar isso claro. A Lei que pune o racismo existe desde 1989 e deixa claro o que precisa ser feito. A sociedade não aceita mais isso. Na escola é preciso aprender quem são as grandes figuras negras da nossa História, não ressaltar o racismo".

O Quilombo Dandara convocou um protesto que será realizado na frente da escola na tarde desta quarta-feira, cobrando punição para o envolvido no caso.

O que diz a Seduc-SP e a escola

A Secretaria de Educação de São Paulo (Seduc-SP) informou que "abriu apuração preliminar e afastou imediatamente o professor envolvido, que é efetivo, até o término da apuração". O texto diz ainda que a Diretoria de Ensino de Santo André formou uma "comissão inter-racial para averiguar os fatos". A Pasta ressaltou que "não admite qualquer forma de discriminação e injúria racial".

A direção da escola comunicou que, após reunião no dia 20, percebeu "a necessidade de trabalhar temas que trazem a necessária temática da educação étnico-raciais na escola", e decidiu que irá introduzir temas de "Ações antirracistas" de forma gradual e contínua nos projetos permanentes de 2022, "levando assim professores, alunos, funcionários e a comunidade em geral a refletir e criar ações que visem a construção de uma sociedade inclusiva e alicerçada na ética humana".

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