Poucos dias antes da enchente, Amanda mostra o quartinho do bebê preparado para a chegada de Gael
Arquivo pessoal
Poucos dias antes da enchente, Amanda mostra o quartinho do bebê preparado para a chegada de Gael

As chuvas no estado da Bahia deixaram mais de 50 cidades em situação de emergência, com ao menos 11 mortos em todo o estado. Na cidade de Medeiros Neto, município de aproximadamente 22 mil habitantes que fica ao sul do estado (788 km de Salvador), um dos mais atingidos, uma mulher grávida de 38 semanas perdeu o enxoval do bebê na enchente.

Amanda Medeiros, de 26 anos, é técnica de enfermagem e tinha montado o quarto junto com todo o enxoval do bebê, que deve nascer na próxima semana. Ela relatou que quase tudo foi levado pela correnteza em poucos minutos.

"Foi tudo muito rápido. Como o parto está previsto para o próximo dia 20, já estava tudo pronto para a chegada do meu filho. Quando a chuva começou, já entrava água na casa dos meus vizinhos, e achei que não fosse chegar aqui, nem tão rápido, nem que fosse chegar com tanto volume. Como veio água do rio, de enxurradas, mesmo com muita gente ajudando a tirar tudo do quartinho do bebê, não conseguimos salvar muita coisa: só algumas bolsas e roupinhas. O berço, o armário, fraldas e a maioria das roupas foram embora junto com a água" , lembra Amanda.

Antes e depois do quartinho de bebê, preparado por Amanda Medeiros para receber Gael: 'estava tudo pronto'
Arquivo pessoal
Antes e depois do quartinho de bebê, preparado por Amanda Medeiros para receber Gael: 'estava tudo pronto'


Solidariedade em meio ao desespero

Ela conta com a ajuda dos amigos para limpar a casa antes de dar à luz. Por causa das perdas, foi morar na casa da avó. Como a história comoveu os amigos, Amanda conseguiu a doação de um berço e algumas roupas de bebê, e contou que a solidariedade fez a diferença para seu estado emocional, que ficou abalado com a tragédia.

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"Nesse desespero, durante a noite enchente, eu tive dores intensas e achei que estava entrando em trabalho de parto. Só me acalmei porque com a experiência que tenho com hospital, consegui identificar que era ansiedade por causa da situação, e as dores foram diminuindo. Tive medo pelo meu filho, mas agora estou mais calma. Tudo vai ficar bem" , diz esperançosa.

Além de perder os objetos do bebê, Amanda conta que também ficou sem cama, guarda roupa e as próprias roupas. Para ela, a prioridade é conseguir recuperar os itens de higiene pessoal para quando o bebê nascer, por isso tem contado com doações.

"No momento em especial, a prioridade é organizar meu lar pós parto, poder proporcionar segurança para meu filho Gael. Estamos iniciando do zero, tudo de novo" , explica Amanda.

Os mais de dois mil desabrigados no município buscam casas de familiares, e outros estão em igrejas e escolas, que além de abrigarem quem não tem mais como voltar para casa, também oferecem alimentação, através de doações feitas por moradores das cidades vizinhas. A prefeitura recebe doações através do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) por meio do telefone (73) 98801-1076.

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