Navio panamenho atracado em Santos era usado para transporte de cocaína ao exterior
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Navio panamenho atracado em Santos era usado para transporte de cocaína ao exterior

Um navio panamenho atracado no Porto de Santos, no litoral paulista, foi usado para transportar cocaína ao exterior pela organização criminosa desarticulada pela Polícia Federal nesta quinta-feira. Preso na operação Calvary, o líder da quadrilha conhecido pela alcunha de "Don Corleone", em alusão ao personagem mafioso do filme "O Poderoso Chefão", assumiu as dívidas da embarcação e confirmou ser o proprietário de fato dela, segundo as autoridades ouvidas pelo Extra.

O navio está entre os bens apreendidos pelos agentes durante operação deflagrada ontem, na qual foram cumpridos 36 mandados de busca e apreensão e outros dez de prisões preventivas e temporárias em seis estados brasileiros. Foram sequestrados ainda 28 imóveis e cinco carros de luxo — entre eles dois Porsches, uma BMW, uma Mercedes e um Volvo. Uma rede de seis postos de combustíveis na Bahia, que serviam para lavar dinheiro, também foi interditada por determinação judicial. A estimativa é que as apreensões durante a investigação superem R$ 50 milhões.

Chamado de Srakane, o navio foi alvo de uma operação de combate ao crime no mar que encontrou trabalhadores de três países europeus em situação de abandono em abril deste ano. A embarcação ficou meses atracada no Porto de Santos com 15 tripulantes em condições precárias e limitado acesso a alimentos. Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) constatou as irregularidades na ocasião.

Modus operandi

Segundo as investigações, a organização criminosa atuava na logística do tráfico internacional de drogas em larga escala, sobretudo a cocaína. As remessas eram enviadas à Europa, para destinos como Espanha, Portugal e Bélgica. O grupo agia pelo menos desde o início de 2020 sob comando de "Don Corleone", como o chefe da quadrilha era identificado em aplicativos de conversa criptografados. Sua identidade não foi revelada pelas autoridades.

"Ele se comunicava com seus comparsas por meio desses aplicativos, tratavam sobre as empreitadas criminosas, sobre as remessas de droga, e o apelido dele nesse aplicativo era Don Corleone", explicou o delegado Luccas Dathayde. "A droga não era fornecida por eles, mas eles se dispunham a fazer essa remessa do Brasil para o exterior por meio de embarcações. Eram eles que planejavam essa logística de transporte até o porto e, a partir do porto, até a Europa. Tudo era planejado por eles e comunicado aos proprietários do entorpecente."

De acordo com o delegado, a quadrilha usava doleiros para trazer o dinheiro da Europa para o Brasil e pagar operações logísticas por meio de contas tituladas por laranjas e pessoas fictícias. Seus integrantes também adquiriam imóveis e colocavam em nome de pessoas jurídicas inexistentes. Entre os imóveis, estão sítios no Paraná e apartamentos em Santa Catarina e São Paulo, base das operações da organização criminosa.

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"Eles estão implicados em vários atos de lavagem de dinheiro", afirmou Dathayde.

As investigações, que tiveram início em janeiro de 2021, mostraram que o grupo articulou a exportação de 2,7 toneladas de cocaína em outubro do ano passado, a partir do Porto de São Sebastião, em São Paulo. Na ocasião, a droga seria remetida à cidade espanhola de Cádiz. As apurações sugerem, no entanto, que outros portos eram usados pelo grupo, como o de Salvador.

Cerca de 1,5 tonelada, no entanto, acabou apreendida no Brasil durante fiscalização conjunta da PF e da Receita. A parte restante foi apreendida na Espanha após comunicação às autoridades policiais do país e atuação da Europol.

Operação Calvary

Deflagrada nesta quinta-feira, a operação foi batizada de Calvary em alusão ao cemitério no qual Don Corleone, do filme "O Poderoso Chefão I", foi sepultado. Isso porque o líder da organização criminosa é chamado pelos demais integrantes do grupo de "Don", em referência ao personagem.

Cerca de 150 policiais federais e oito servidores da Receita Federal participaram da ação em São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Ao todo, nove pessoas foram presas, incluindo o chefe da organização. Um integrante está foragido. Os detidos podem responder por tráfico internacional de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

No bojo das investigações, foi determinada a quebra do sigilo bancário e fiscal de 66 pessoas, incluindo 39 pessoas jurídicas suspeitas de serem utilizadas pelos investigados para lavagem de dinheiro.

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