Polícia Civil apreende 600 tablets de cocaína avaliados em R$ 250 milhões
Guarda Civil de Sevilla
Polícia Civil apreende 600 tablets de cocaína avaliados em R$ 250 milhões

A Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (CORE) apreendeu próximo da Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio, um carregamento de cocaína avaliado em R$ 250 milhões. Ao todo foram 600 tablets encontrados dentro de bolsoas de viagem que eram transportadas por um caminhão que saia da favela.

Os agentes da Core atuavam na região na manhã desta segunda após receberem informações de que carregamentos de armas e drogas estavam chegando nas favelas dos bairros de Olaria e Penha. Por volta das 11h, um pequeno caminhão baú foi visto saindo da Vila Cruzeiro não respeitou a ordem de parada dos policiais e tentou fugir dos agentes.

Durante a tentativa de fuga, o motorista acabou colidindo com uma das viaturas do Core, mas continuou a tentar escapar do cerco. Após passar por diversas ruas de Olaria, a perseguição só terminou quando o caminhão capotou em um dos acessos da Avenida Brasil, na altura do bairro de Ramos.

O motorista do caminhão foi identificado como Roberto Vieira de Anfrade, de 31 anos. Ele foi preso em flagrante. A Polícia Civil informou que irá instaurar um inquérito policial para reunir informações sobre esta apreensão e entender porquê de uma quantidade tão grande de cocaína estava saindo da Vila Cruzeiro para outras favelas.

Até o momento a Polícia acredita que a droga poderia estar sendo escoada para outras favelas da mesma facção. Entretanto, os agentes vão investigar se o carregamento poderia ter como destino outros países, pois estavam guardados em bolsas de viagem.

Favelas do Rio são usadas por traficantes internacionais para armazenagem

A facilidade oferecida por bandidos cariocas para armazenar entorpecentes e a ajuda que dão no embarque marítimo de grandes carregamentos atraíram traficantes internacionais: hoje, o Rio de Janeiro está nas principais rotas de envio de cloridato de cocaína (forma mais pura e valiosa da droga) da América do Sul para a Europa e os Estados Unidos.

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A intensificação da fiscalização no Porto de Santos, em São Paulo — o maior do país e, até poucos anos atrás, local das maiores apreensões de cocaína em solo brasileiro —, também contribuiu para o atual cenário. Um levantamento feito pelo EXTRA mostra que, nos últimos 20 meses, entre fevereiro de 2020 e 5 de outubro deste ano, a polícia encontrou 10,5 toneladas da droga prestes a serem embarcadas no Rio.

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Os carregamentos apreendidos vieram da Colômbia, da Bolívia, da Venezuela e do Peru, países onde o quilo da cocaína custa em torno de mil dólares (cerca de R$ 5.500). Investigações da Polícia Federal e das delegacias de Repressão a Entorpecentes(DRE) e de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) da Polícia Civil do Rio revelam que bandidos da Maré têm guardado cloridato de cocaína para traficantes internacionais até sua colocação em contêineres.'Faraó dos Bitcoins': Como Glaidson Acácio dos Santos fez Cabo Frio virar o epicentro das pirâmides

Segundo investigadores, o entorpecente, cujo preço do quilo na Europa atinge 40 mil euros (quase R$ 260 mil), fica escondido em comunidades por períodos que variam de dois a cinco dias. Os bandidos que controlam essa favelas recebem “aluguel” em dólar, afirmam policiais.

"Traficantes de uma facção criminosa estão alugando territórios, principalmente em comunidades próximas ao Porto do Rio. Já sabemos, por exemplo, que Rodrigo da Silva Caetano, o Motoboy, chefe da quadrilha da Nova Holanda (Maré), cobra cem dólares por cada quilo armazenado", diz o delegado Marcus Amim, da DRE.

Negócio lucrativo

Uma investigação da DRFC revela que parte da quadrilha da Maré, especializada em roubos de cargas e assaltos a centros de distribuição de produtos eletrônicos, fez contato com bandidos que agem no Porto de Itaguaí e decidiu entrar no novo e lucrativo negócio no Rio.

"Quadrilhas que originalmente praticavam roubos de cargas migraram suas atividades para a exportação de cocaína, devido ao alto valor da droga no mercado internacional", explica o delegado Vinícius Domingos, da DRFC, que conduz uma investigação sobre a atuação dos criminosos.

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