Ex-presidente Michel Temer
Agência Brasil
Ex-presidente Michel Temer

No seu retorno a Brasília desde que deixou a Presidência da República, após passar a faixa a Jair Bolsonaro , em 2019, o ex-presidente Michel Temer (MDB) fez uma defesa do ministro Alexandre de Moraes - indicado por ele para o Supremo Tribunal Federal ( STF ) -, não aposta que as Forças Armadas irão endossar qualquer movimento de ruptura democrática e descartou uma nova aliança com o PT nas eleições de 2022. Temer participou do lançamento do documento "Todos por um só Brasil", com o pensamento do MDB para assuntos diversos do país.

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O ex-presidente acredita que, apesar do ambiente de tensão institucional no país, não há riscos para a democracia.

— Não vejo riscos para a democracia. Não há a menor condição para isso. Uns podem acreditar, mas eu não. As instituições estão sólidas, consolidadas. Só há risco à democracia se tiver a Forças Armadas desejosas disso. E não há. Convivi muito com as Forças Armadas e posso dizer que são obedientes à Constituição e jamais patrocinarão qualquer golpe . A sociedade está unida em defesa da democracia — disse Temer, que complementou:

- Pode ser ingenuidade minha, mas, pautado pela minha experiência e convívio, não vejo condições. Acho que não haverá.

Temer saiu em defesa de Alexandre de Moraes ao ser questionado sobre a iniciativa de Bolsonaro em oficiar no Senado um pedido de impeachment do ministro. Sem atacar o presidente da República, o emedebista afirmou que as decisões de Moraes são respaldadas pela Constituição. Ele também ocupou o Ministério da Justiça no governo de Temer.

— Conheço o ministro Alexandre de Moraes há muito tempo, bem antes da política. Sei da sua moderação. Não é exagerado e é um cumpridor rigoroso do texto constitucional. Se ele toma alguma providência é porque está respaldado. E decisões do Judiciário podem ser contestadas, mas não no plano político. No plano jurídico, sim. Se tem algum conflito, se leva ao Judiciário e se decide lá — afirmou Temer.

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A disputa eleitoral de 2022 foi assunto também do ex-presidente, que descartou disputar o Palácio do Planalto ano que vem.

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— Já passei por isso (Presidência da República). Já fiz o que tinha que fazer. Não está no meu horizonte.

Uma aliança com o PT, segundo Temer, está descartada e seu argumento que o momento é de buscar um lado do "meio" entre o que considera os extremos de hoje, uma referência a Bolsonaro e Lula .

— Acho difícil uma aliança com o PT. O MDB é radicalmente contra radicalismos. Vamos buscar um caminho do meio.

O encontro, na sede do partido, reuniu antigas lideranças do MDB, como o ex-governador do Rio Moreira Franco e o ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (MDB-RJ) O ex-deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) também compareceu. A Segunda Turma do STF, anteontem, reduziu sua pena para nove anos de prisão, pelo crime de associação criminosa no caso das malas com milhões de reais encontradas em um apartamento em Salvador (BA).

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