Uma cena de importunação sexual dentro de um ônibus na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, no último dia 6, foi registrada em vídeo pela própria vítima, que postou as imagens em seu perfil de rede social para chamar atenção ao problema. O vídeo começa com a passageira, Mariana Muaharre, de 21 anos, questionando o que o homem a seu lado estaria fazendo naquele momento. O indivíduo parece ter se surpreendido com a reação e fica parado, enquanto a mulher demonstra ainda mais revolta com a situação de assédio.


"Desde que eu entrei nesse ônibus, o que é que você está fazendo? Sabe qual é a sua sorte? É que eu não estou com a minha faca aqui hoje", diz a autora da postagem, que trabalha numa loja de shopping.



Em seguida, ela se levanta e vai para o corredor, forçando o homem a também deixar seu lugar no coletivo.

"Está achando que eu estou brincando?", questiona, ao perceber que o passageiro aparentemente não saltaria por conta própria.

Mariana então começa a xingá-lo e pede para o motorista abrir a porta para que ele descesse. O homem acaba aceitando e diz que precisa descer por estar passando mal.

Questionada sobre como ela pensava que seria sua reação naquele contexto, ela disse que imaginava que fosse tomar uma atitude, mas não da forma como aconteceu.

"Na verdade, não me reconheço exatamente com toda aquela coragem que surgiu no momento, mas nunca é como a gente pensa. A gente imagina que sempre vai agir de uma forma e acaba fazendo outra coisa". 

Por isso, ela contou que se surpreendeu bastante consigo mesma.

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"Eu não esperava nada disso de mim mesma. Na verdade, ninguém que me conhece muito bem sequer imaginava. Estão até brincando na família. Acredito que imaginam que eu seria a última pessoa da família a ter uma atitude assim. Sou muito de resolver as coisas na conversa, sou considerada muito calma. Minha mãe sempre diz que sou muito sensível apesar de eu tentar não parecer".

A respeito do que sentiu depois, Mariana disse que nunca havia se visto como uma mulher "de fato forte".

No Instagram de Mariana, o vídeo já recebeu mais de 808 mil visualizações, e ela disse que não esperava tamanha repercussão. A partir de então, a jovem tem recebido relatos de todo Brasil.

"Recebi histórias muito semelhantes e até piores, meninas que foram estupradas me colocando como heroína, isso mexe demais comigo. Já chorei muito lendo o tanto de desabafos que estou recebendo. Mulheres que considero facilmente "n" vezes mais fortes que eu, se culpam por não terem tido uma atitude igual a minha, mas não sabem que nem eu esperava isso…".

Na legenda, ela desabafou sobre a condição de medo constante em ser alvo dessa forma por ser mulher. Para a jovem, a mensagem que fica é a importância de se falar sobre isso.

"Aconteceu o que eu sabia que poderia acontecer, a gente que é mulher põe o pé pra fora de casa pensando em como não morrer, pensando em como não ser assediada e como não ser estuprada. A resposta é que não há como, a mudança é devagar mas só vejo retrocesso, ninguém me ajudou, ninguém fez nada, uma mulher que estava até bem distante gritou, com cerca de 90% das pessoas presentes sendo homens, que na internet dizem 'se eu tivesse lá mataria', justos os que não fazem NADA", afirmou. "Sempre seremos nós por nós, num ato desse desses criei a coragem que não sabia que tinha, dois minutos depois liguei pra minha mãe chorando e toda bravura esvaiu, veio o vazio, a tristeza, a vulnerabilidade. Ajudem nossas mulheres, protejam nossas meninas".

Num primeiro momento, Mariana enviou o vídeo apenas para três pessoas próximas, mas uma delas acabou compartilhando no WhatsApp e, por fim, foi postado no TikTok.

"Fiquei chocada porque já estava com uma repercussão enorme", lembrou.  "Vi que muitas pessoas queriam ter acesso àquilo completo, a história por trás, principalmente com o intuito de expor a situação, daí postei, mas com muito incentivo também da minha mãe e minha família". 

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